As cinco lições de Lygia Fagundes Telles

Matéria por  Socorro Acioli
26 de Abril de 2021 - 05:00
capa da noticia

Perto dos cem anos de vida, recolhida dos eventos e aparições públicas, Lygia Fagundes Telles é e sempre será uma das maiores escritoras em Língua Portuguesa. São muitos anos criando narrativas, publicando livros, concedendo entrevistas, pensando a relação entre a vida e a palavra. 

Temos muito a aprender com Lygia. Algumas das suas constatações sobre viver e escrever estão reunidas no livro “Durante aquele estranho chá”, crônicas de memória com feição de contos, no estilo sofisticado e elegante que é a sua marca. 

A primeira lição que aprendemos com ela é de valor inestimável: a coisa mais importante de uma carreira são os amigos que fazemos, as relações de afeto e admiração trazidas pela profissão. 

Este livro é, também, uma homenagem aos grandes amigos de Lygia e a alguns encontros que marcaram sua trajetória. 

Ela conta, com amor e graça, dos seus momentos com Clarice Lispector, Hilda Hilst, Monteiro Lobato, Simone de Beauvoir, Mario de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Luís Borges, entre outros nomes que atravessaram o seu pensamento de forma definitiva, deixando suas marcas. 

Da convivência com Clarice, há a segunda lição: o de não se levar a sério demais, não partir do pressuposto da superioridade. 

Em um congresso de escritores em Cali, na Colômbia, as duas estranharam as caras muito sisudas, a pose, o peito estufado, a vaidade, a fala rebuscada dos colegas. Trocaram tudo isso por uma rodada de vinho e espumante, uma conversa leve. Lygia foi ao evento preparada para dizer que a literatura é como os anjos, não tem gênero, mas, ao invés disso, teve de explicar para a plateia colombiana que brasileiros falam português.  

A terceira lição é sobre a pressa que os jovens escritores tem de aparecer de qualquer maneira. Ela mesma se arrepende dos livros que publicou cedo demais, custeando a edição. É mais prudente ter paciência, deixar que a vida mostre as coisas que o autor precisa saber para que o texto tenha profundidade, camadas, sentido. 

“Um escritor desesperado é uma contradição”, ela disse. 



Você atingiu o limite de matérias gratuitas desse mês, adquira uma assinatura digital para desbloquear esta notícia e mais do melhor jornalismo local

Logo

Tenha acesso ilimitado ao maior portal de notícias do Nordeste

Precisa de Ajuda?

Entre em contato com a nossa central de atendimento: