Séries, filmes e outras produções audiovisuais são capazes de nos marcar profundamente?
Após a morte da atriz Naya Rivera, fãs de Glee ressaltaram a conexão com a artista fazendo homenagem ao citar a possibilidade de identificação entre milhares de jovens
Qual capacidade real uma série, filme ou qualquer outra produção audiovisual possui para transformar ideais, gerar identificação ou até se tornar importante emocionalmente na vida de quem a acompanha? Acredito que esse foi um dos questionamentos pelos quais me senti predisposta a refletir nos últimos dias, logo após uma passagem pelas redes sociais. A coluna, dessa vez, não vem com um objetivo claro nem mesmo para mim. No entanto, buscar as conexões feitas entre o que consumimos e vivemos, acredito, tem feito parte da rotina das pessoas que, assim como a maioria de nós,enxergam na arte a expressão de um todo.
Com as notícias do falecimento da atriz Naya Rivera, em um episódio trágico no Lake Piru, nos Estados Unidos, não faltaram relatos da importância de Glee em publicações de luto no Twitter, por exemplo. A série, que teve um total de seis temporadas, estreou em 2009 e foi criada por Ryan Murphy, se tornou símbolo para parte de uma geração de adolescentes. Ano após ano, entretanto, se tornou também sinônimo de luto em meio a episódios trágicos. Entre palavras de aceitação e tristeza, exprime um sentimento de conexão com artistas e histórias capazes de marcar para além do tempo de duração.
Talvez analisar o caso de Glee, exatamente por conta do momento fatídico da confirmação da morte de Naya, aos 33 anos, possa servir de ponto inicial para discutir o tema. Intérprete da jovem lésbica Santana na série, a atriz ganhou homenagens em variadas redes sociais ao ser citada como parte importante da adolescência de jovens descobrindo como lidar com a sexualidade, o amor e a representatividade na televisão. Aliás, a série como um todo se tornou reconhecida pelos fãs como um produto repleto de acolhimento e entendimento das questões que permeiam a vida de centenas de jovens.
Para Naya
Como se as palavras para expressar a tristeza com a partida dela não fossem suficientes, enxergar a importância do trabalho do qual fez parte surgiu como forma de alento nos fãs que a acompanharam por meio do personagem durante alguns anos. Palavras de afeto se espalharam nas redes, depoimentos emocionados foram veiculados. E não só. Também nessa linha da identificação, o assunto foi tratado como uma forma de conceder a relevância da atriz no âmbito mais íntimo entre aqueles que presenciaram a forma da norte-americana em cena.
A pergunta no título desta coluna, portanto, pode ser entendida como completamente retórica. Para mim, as coisas ficaram mais claras enquanto escrevia uma matéria. O entrevistado era um rapaz, artista cearense e fã de Naya Rivera, que dedicou um mural em homenagem à atriz. Em meio à conversa feita pelo telefone, ele repetiu diversas vezes como o que viu no personagem de Glee acabou por influenciá-lo na vida real. Se a admiração saiu das telas para a vida real, acabando manifestada após uma tragédia, foi por conta da capacidade de se identificar sentida por ele no enredo apresentado na história.
Não é muito diferente do que acontece com livros, por exemplo. A arte toca de alguma forma, muitas vezes independente do meio de transmissão pelo qual alcança o público. Assim sendo, são capazes de nos marcar, moldar aos nossos sonhos -seja para o bem ou mal- ou ser simplesmente uma maneira de fuga. Como utilizá-la é uma escolha de quem consome, obviamente. Porém, até mesmo onde não se enxerga potencial ou onde as críticas são inúmeras, provavelmente acaba existindo alguém para absorver algo.
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