'Dois Papas' é obra importante de Meirelles com atuações magistrais e roteiro completo

Longa foi lançado por meio da Netflix no último dia 20 de dezembro e mostra momentos importantes, e ficcionais, de uma "amizade" entre os papas Francisco e Bento XVI

Matéria por  Redação
29 de Dezembro de 2019 - 10:01
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Dia desses, rolando incessantemente pelo feed do Instagram, me deparei com alguma notícia sobre o Papa Francisco. Uma declaração sobre as mudanças necessárias para a Igreja e para os fiéis católicos. Horas depois, cheguei ao filme "Dois Papas", produto do brasileiro Fernando Meirelles e lançado no último dia 20 na Netflix, com longas conversas entre Bento XVI e o atual Pontífice. Em uma mistura de história profunda e bem-humorada, o diretor tece a personalidade de dois dos homens mais importantes do catolicismo.

No enredo, um dos momentos mais curiosos para a Igreja Católica. Foi em 2013 que o papa Bento XVI comunicou a decisão de renunciar ao maior cargo da instituição religiosa. Logo após isso, Francisco I, até então Jorge Bergoglio, assumiria o posto após eleição, sendo o número 266 em toda a história. Sob essa perspectiva, Meirelles utiliza um acontecimento grandioso por meio de uma premissa simples: um encontro entre os dois para sacramentar a transição do papado e, ainda assim, discutir ideias fundamentais da religião representada por eles.

Antes de tudo, vale ressaltar o trabalho do roteiro de Anthony McCarten. Junto da direção de Meirelles, ele é o responsável por abrir de forma cuidadosa a personalidade dos dois protagonistas. Por meio do texto, nos afeiçoamos ao jeito simples e carismático do papa Francisco que, até então, ainda era cardeal e tinha proximidade com as comunidades de Buenos Aires na Argentina. Ao mesmo tempo, adentramos nos detalhes mínimos da figura impenetrável e mais sisuda de Bento XVI, quase um oposto do argentino. 

Pryce e Hopkins são as melhores escolhas possíveis para os papéis de Francisco e Bento XVI
Legenda: Pryce e Hopkins são as melhores escolhas possíveis para os papéis de Francisco e Bento XVI
Foto: Foto: divulgação

Nesse ponto, é crucial falar da maestria com a qual Jonathan Pryce e Anthony Hopkins conduzem os diálogos na película. Os dois atores, com extremo talento e responsáveis por uma construção impecável das duas personalidades, entregam o bastante para serem perfeitos no que é proposto e alcançam um patamar elevado, além de digno de reconhecimento.

Pryce absorve todos os trejeitos de Francisco, inclusive o sorriso mais tímido e, ao mesmo tempo, tão caloroso. Já Hopkins transparece o cansaço do corpo físico de Bento XVI e a confusão de ideias mantidas à época pelo alemão.

Parte disso também se configura na direção precisa de Meirelles. Sem interferir na importância do diálogo mantido pelos dois, ele concede espaço para que tudo flua da maneira mais orgânica possível. O humor, os flashbacks, as caracterizações em cena – inclusive cabe pontuar a construção detalhada de partes da periferia na Argentina – e os silêncios são sutilezas mínimas e extremamente únicas no objetivo de engrandecer a narrativa. 

No fim das contas, é por meio da abordagem de humanidade contida em ambas as figuras que o longa se firma como completo. Mesmo com conversas e momentos ficcionais, não deixa de ser extremamente instigante testemunhar a formação do que pode ter levado a um marco para a maioria dos católicos. 



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