Infodemia e Negacionismo Científico: um terreno fértil para a desinformação em saúde

O número de informações que encontramos online, com apenas um click, é enorme. E quando falamos de saúde e ciência, existem muitos conteúdos: mas como saber quando são falsos ou verdadeiros?

Escrito por Ítalo Henrique ceara@svm.com.br
29 de Julho de 2025 - 07:00
capa da noticia

Se voltarmos algumas décadas no passado, podemos observar que a dinâmica social para se manter informado sobre os mais diversos assuntos era por meio de jornais impressos, telejornais, rádio, programas de TV e os famosos blogs de notícias que estavam surgindo conforme a internet crescia. E quando o assunto era saúde, as fontes das informações eram mais diversas ainda, podendo vir desde uma consulta com o médico até dizeres de senso comum.

Com a chegada das redes sociais, o acesso à informação ficou bem mais simples, o que é muito bom, mas pode ser um espaço muito propício para disseminação das famosas fake news. E quando essas são sobre questões relacionadas à saúde, o buraco é bem mais embaixo.

Durante a pandemia da Covid-19, a Organização Mundial da Saúde (OMS) popularizou um termo muito útil para explicar isso: a “infodemia”.

Esse conceito remete ao excesso de informações falsas e verdadeiras que ficam disponíveis em um espaço de tempo muito rápido, o que dificulta a verificação do que é ou não confiável e o que tem ou não algum tipo de respaldo científico. É nesse cenário que o negacionismo científico ganha ainda mais força.

Com a grande quantidade de informações online, é também bem mais fácil espalhar conteúdos que se recusem a aceitar conhecimentos científicos relacionados à nossa saúde e ao meio ambiente, mesmo com evidências científicas sólidas e robustas apresentadas por pesquisadores.

Essas fake news podem ter também um grande apelo a crenças pessoais e questões ideológicas.

Com isso em mente, é possível entender como a infodemia e o negacionismo científico constroem um terreno fértil para a popularização de desinformações em saúde, criando assim narrativas que fortalecem movimentos como o antivacina.

Por isso, é importante estar atento ao ler conteúdos que incentivem a tomar decisões que possam a vir impactar na sua saúde.

Aqui vão algumas dicas:

  • Tenha cuidado com mensagens sensacionalistas que falam sobre possíveis “curas milagrosas” para uma doença ou quando alguém diz “os cientistas não querem que você saiba disso”, pois se tem uma coisa que nós, cientistas, mais queremos é que a população saiba sobre o que estamos pesquisando.
  • Também é importante que você cheque as fontes das informações que você recebe. Se foi por WhatsApp ou em um perfil no Instagram, procure sempre jornais sérios e de confiança ou o próprio site do Ministério da Saúde ou de outros órgãos como a OMS.
  • Além disso, sempre cheque a data, pois fake news podem utilizar acontecimentos do passado para gerar pânico na população. E busque sempre verificar as informações em várias fontes antes de compartilhar com outra pessoa.

Talvez isso possa parecer trabalhoso, até porque você só quer compartilhar uma notícia com um familiar ou amigo. Mas é justamente por isso que temos que ter cuidado, pois saúde é coisa séria e uma desinformação pode fazer com que aquela pessoa tome uma decisão precipitada que venha influenciar na sua própria saúde.

Então, antes de compartilhar, cheque a notícia antes. Assim você ajuda a si mesmo e ao próximo!

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.



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