Nova localização da Dessal pode reduzir custo de construção da usina, avalia Anatel

Avaliação do conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) está baseada nas garantias que a agência exigia para o local anterior e que agora não serão mais necessárias

Matéria por  Ingrid Coelho
18 de Junho de 2024 - 06:00
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O imbróglio envolvendo as teles e a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) chegou ao fim na última semana com a mudança de local da usina de dessalinização. Mas além do fim do embate, o novo endereço da Dessal pode, de quebra, demandar um custo menor de construção. A avaliação é do conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Vicente Aquino, em entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste nesta segunda (17).

De acordo com ele, para ficar no espaço que havia sido definido anteriormente, a construção teria que atender a uma série de garantias exigidas pela Anatel para que os cabos e a conectividade da América Latina e outras partes do mundo não fossem afetadas. "Ainda está em fase de projeto, sabemos que há muito chão para começar a construção, mas acredito que não haverá alteração no custo, pode inclusive diminuir os custos, porque para fazer naquele lugar precisavam ser oferecidas garantias que a Anatel exigiu e essas garantias representam um custo alto".

Ele detalha que esses custos se tratam, por exemplo, de "malhas de concreto gigantescas" para proteger as estruturas e outros materiais. Ele acredita, inclusive, que mesmo com a necessidade de remoção das cerca de 120 famílias no entorno da usina no novo local, o custo de desapropriação ainda será menor do que o custo que atender as garantias da Anatel exigiria.

"Hoje talvez precise retirar algumas famílias que estão no entorno e eu acredito que o custo de retirada dessas famílias seja menor do que para atender a essas garantias de segurança que a Anatel exige", diz Aquino. O custo total para cumprimento das garantias ainda não havia sido calculado, segundo o conselheiro.

Fim do impasse

Na última sexta-feira (14), conforme noticiou com exclusividade o Diário do Nordeste, reunião no Palácio do Planalto envolvendo representantes da Anatel, o governador Elmano de Freitas (PT), a Cagece e outros representantes das teles e do poder executivo pôs um ponto final no embate sobre a construção da usina.

Ao longo dos últimos três anos, Aquino lembra que o debate em torno da usina foi "longo e muitas vezes tenso, complicado" e que a "Anatel não queria necessariamente que o equipamento mudasse de lugar, mas que precisava que garantias de que a internet não seria afetada". "O governador foi sensato e coerente".

É a segunda mudança de localização envolvendo o projeto da Dessal. O primeiro foi em relação à área de captação da água e a proximidade com os cabos no oceano. A alteração garantiu uma distância de 550 metros entre a captação de água para a usina e os cabos submarinos.

Vicente Aquino é conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel)
Legenda: Vicente Aquino é conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel)
Foto: Thiago Gadelha

Usina passaria em cima de nove cabos

Com o novo endereço da Dessal, distante cerca de mil metros do local antigo, a usina vai deixar de passar em cima de nove cabos. "A usina no novo local não passa em cima de qualquer cabo. Aliás, há até uma distância acentuada que garantirá a segurança, não afetará as estruturas", reforça Aquino.

Além dos riscos para os cabos durante a operação da usina, havia os riscos que a própria construção no local antigo ofereceria, com a instalação de estruturas que chegariam muito perto dos cabos. "Quando se fala em risco no trecho terrestre estamos falando do funcionamento pós-conclusão da obra, que iria haver um tráfego de água em torno de 1 m³ de água por segundo. Se houvesse uma ruptura, certamente os cabos seriam atingidos, não tenha nem dúvida disso".

A coluna procurou a Cagece para saber se já foi feito um cálculo de quanto custará construir a usina no novo local, mas não houve retorno até a publicação deste texto. O espaço está aberto.

 



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