TRE-CE: processos contra prefeitos estratégicos podem mexer no xadrez eleitoral de 2026

Decisões para ambos os casos podem levar a novas eleições e influenciar na corrida de 2026

Escrito por Inácio Aguiar inacio.aguiar@svm.com.br
14 de Novembro de 2025 - 06:00
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Dois processos que estão na pauta da sessão desta sexta-feira (14) do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) têm potencial de mexer no tabuleiro eleitoral, na disputa entre base do governo e oposição no Ceará. As ações pedem a cassação dos mandatos dos prefeitos Roberto Filho (Iguatu) e Glêdson Bezerra (Juazeiro do Norte).

Possíveis condenações em segunda instância podem abrir espaço para afastamento do cargo e até eleições suplementares, gerando novo embate entre grupos políticos no Interior do Estado.

Nos dois casos, os prefeitos são oposição ao governo do Estado, cenário que está agitando os bastidores da Justiça Eleitoral no Estado.

Iguatu: maioria pela cassação

O caso mais avançado é o de Iguatu, que deve chegar à sessão com placar de 3 a 2 pela cassação da chapa. O relator, Wilker Macêdo Lima, votou pela cassação e foi acompanhado por Durval Aires Filho e Daniel Carvalho. Já Luciano Nunes Maia Freire e José Maximiliano Machado divergiram e votaram por manter a absolvição.

O processo teve pedido de vista da presidente do TRE-CE, desembargadora Maria Iraneide Moura Silva, que deve devolver o voto nesta sexta.

A maioria, até o momento, aponta abuso de poder econômico e captação ilícita de sufrágio. A defesa nega irregularidades e afirma que “não há lastro probatório válido para sustentar condenação”, reforçando que o prefeito ainda poderá recorrer ao TSE.

Juazeiro do Norte: julgamento aberto

Em Juazeiro do Norte, o relator, Leonardo Vasconcelos, votou pela cassação de Glêdson Bezerra e do vice, mantendo a sentença que já declarara a inelegibilidade do prefeito e determinara novas eleições. Logo em seguida, o desembargador Emanuel Leite Albuquerque pediu vista, deixando o placar em 1 a 0.

A defesa sustenta que não houve abuso de poder e que a decisão de primeiro grau é “desproporcional e sem base sólida”. Lembra ainda que o Ministério Público Eleitoral se manifestou contra a cassação, mas o colegiado segue com autonomia para decidir.

Efeito político imediato

Iguatu e Juazeiro são cidades estratégicas no interior do Estado. A primeira, é a maior do Centro-Sul; já a segunda, a maior cidade do Estado fora da Região Metropolitana.

Eventual enfraquecimento dos gestores, fruto de condenação, pode reabrir disputas locais às vésperas da eleição estadual de 2026.

Mesmo em caso de condenação, os dois gestores poderão recorrer ao TSE, mas a instabilidade política local já estará instalada.



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