Presidente do partido de Bolsonaro volta a defender candidatura própria ao governo do Estado
O PL ainda enfrenta dificuldades internas entre os antigos e os novos filiados mais alinhados com o presidente da República; Acilon Gonçalves minimiza
O Partido Liberal (PL) no Ceará viu sua lista de filiados crescer na janela partidária, principalmente com a atração de nomes ligados ao presidente Jair Bolsonaro, com bom potencial eleitoral. O partido, entretanto, enfrenta uma certa crise de identidade, no início da convivência entre membros da legenda antes e depois da filiação e Bolsonaro. Até a última eleição, o PL estava na base do governo estadual.
O presidente da sigla, Acilon Gonçalves, que é prefeito de Eusébio, minimiza os problemas. O comando local enfrentou momentos de indefinição logo após o presidente da República migrar para a legenda. Houve especulações sobre a saída do gestor e seu grupo político, mas as questões foram contornadas e o comando nacional renovou o mandato da atual direção estadual.
As querelas internas no partido, entretanto, estão longe de serem resolvidas. As figuras mais próximas de Bolsonaro no Ceará, frequentemente, ignoram a direção local e buscam figuras nacionais para os pleitos do grupo aqui no Estado.
Há desentendimento entre membros do grupo mais ligado ao presidente e alguns filiados pelo diretório estadual, o que tem causado desconfortos. Um dos episódios foi críticas feitas pelo deputado André Fernandes contra a influencer Pâmella Holanda, que se filiou recentemente ao partido. Segundo André postou nas redes sociais, Pâmela havia feito críticas ao presidente Bolsonaro.
Planos majoritários
Acilon quer que o partido tenha candidato próprio ao governo do Estado. Este tema, entretanto, ainda é alvo de impasse. Uma parte dos bolsonaristas no Ceará quer apoiar a pré-candidatura de Capitão Wagner (UB) no Estado. O próprio presidente Bolsonaro tem demonstrado, nas visitas ao Ceará, proximidade com o deputado federal.
Acilon, entretanto, defende um nome do próprio PL. “Estamos lutando para isso”, disse ele em conversa com este colunista na Assembleia Legislativa. Uma das possibilidades seria lançar o nome do ex-deputado federal Raimundo Gomes de Matos, como chegou a ser cogitado no início do mês passado.
Uma decisão neste sentido traria impactos para a oposição estadual, pois como partido de Bolsonaro, o PL pode agregar recursos, tempo de TV e a própria influência presidencial.
Em contrapartida, a defesa da candidatura própria seria no sentido de fortalecer as chapas do partido que disputarão vagas no Legislativo Estadual.
Questionado sobre a relação com o grupo governista local, o prefeito disse o seguinte:
“relação institucional ótima. Esperamos que todos eles estejam presentes na posse do nosso (do PL) governador em janeiro (de 2023)”.
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