Extinção da taxa do lixo não pode ofuscar o debate sobre a limpeza urbana e sustentabilidade

Poder público e sociedade precisam assumir compromissos por uma cidade mais limpa e ambientalmente responsável

Matéria por  Inácio Aguiar
10 de Janeiro de 2025 - 08:49
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A extinção da taxa do lixo em Fortaleza atende a um anseio popular, mas não pode encerrar o debate sobre a gestão dos resíduos sólidos na cidade. Embora a cobrança tenha sido alvo de críticas, a pauta da limpeza urbana e da sustentabilidade permanece urgente, exigindo tanto a responsabilidade do poder público quanto o engajamento da sociedade. 

A extinção da taxa, aprovada por unanimidade na Câmara Municipal, eliminou uma cobrança impopular, mas a realidade da produção de resíduos e os custos envolvidos em sua coleta e destinação adequada continuam ainda mais vivos. A limpeza da cidade é um serviço essencial e dispendioso, que exige planejamento, investimentos e gestão eficientes. O que a Câmara fez foi transferir o custeio integralmente para o orçamento municipal, e isso, naturalmente, não pode comprometer a qualidade do serviço. 

Porém, a responsabilidade por uma cidade mais limpa não deve recair exclusivamente sobre o poder público. Cidadãos e empresas desempenham papel central nesse processo. A adoção de práticas como a separação correta de resíduos, a redução do consumo de descartáveis e o combate ao descarte irregular são atitudes essenciais para uma gestão mais sustentável. Educação ambiental e campanhas permanentes de conscientização são fundamentais para estimular mudanças de comportamento. 

O fim da taxa também reforça a necessidade de fortalecer políticas de reciclagem e valorização dos resíduos. Parcerias com cooperativas de catadores, ampliação de ecopontos e a criação de incentivos para o setor privado investirem em soluções sustentáveis podem reduzir os impactos ambientais e gerar empregos. O desafio, portanto, vai além da simples revogação de um tributo, envolvendo a criação de uma cultura de corresponsabilidade. 

A extinção da taxa do lixo foi uma decisão política, mas a limpeza da cidade e a sustentabilidade são compromissos coletivos e permanentes. É fundamental que a pauta continue no centro das discussões públicas, com políticas eficazes, fiscalização rigorosa e o envolvimento de toda a sociedade. Só assim Fortaleza poderá ser, de fato, uma cidade mais limpa, organizada e ambientalmente responsável. 



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