Tarifaço: Elmano consolida parceria do governo com setor privado

Presidentes da Fiec e da Faec elogiam a iniciativa do governador de juntar empresários para sua conversa com Geraldo Alckmin. A tarifa de 50% poderá demitir milhares de cearenses

Escrito por Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
30 de Julho de 2025 - 08:19
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Da reunião de ontem, terça-feira, 29, em Brasília, do governador Elmano de Freitas com o vice-presidente Geraldo Alckmin, que é, também, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comercio, ficou a visível certeza de que a parceria do setor produtivo com o governo cearense, que já era forte, consolidou-se neste momento de grande incerteza diante do que poderá acontecer se o tarifaço de Donald Trump for mesmo implementado a partir de depois de amanhã, sexta-feira, primeiro de agosto. 

Ao convidar as lideranças da indústria e do agro para o encontro, o governador quis mostrar a Alckmin a importância dos setores da economia do Ceará que serão direta e imediatamente impactado pela tarifa de 50% imposta pelo governo dos Estados Unidos a todos os produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. 

Ao lado do presidente da Fiec, Ricardo Cavalcante; do presidente da Faec, Amílcar Silveira; do CEO da ArcelorMittal Pecem, Erick Torres; e de vários presidentes de sindicatos da indústria, cujas empresas estão na mira do tarifaço, Elmano de Freitas acertou econômica e politicamente: exibiu-lhes suas preocupações com o problema que está por vir e, ao mesmo tempo, colheu deles a correta impressão de que o governo estadual não lhes faltará quando e se a crise chegar. 

Geraldo Alckmin, que, em nome do governo da União, comanda as tratativas com autoridades do governo norte-americano, tem agora a certeza de que, no Ceará, o tarifaço de Trump causará grandes e graves prejuízos à indústria calçadista, à siderurgia, à área de captura e beneficiamento de pescados e ainda, aos produtores de mel de abelha, manga e frutas.  

No primeiro semestre do ano passado, somente em peixes vermelhos, como o pargo, o Ceará exportou o equivalente a US$ 12 milhões; no primeiro semestre deste ano, essas exportações foram à casa dos US$ 19 milhões. Este é um caso. Há outro: a siderúrgica da ArcelorMittal, no Pecém, exporta para os Estados Unidos 30% de sua produção de placas de aço; mais da metade da cera de carnaúba produzida no Ceará vai, também, para lá. A Grendene, maior fábrica de calçados do país, que tem em Sobral sete unidades, dando emprego a quase 25 mil pessoas, também vende para os Estados Unidos boa parte do que produz e exporta.  

“Imaginem o que acontecerá com essas empresas e com esses setores da economia cearense, se realmente a tarifa de 50% determinada pelo governo norte-americano for mesmo implementada dentro de 48 horas? Haverá, na primeira hora, o desemprego de milhares de pessoas, e este é o cenário mais triste desta história, que por enquanto é só expectativa”, disseram à coluna, com outras palavras, os presidentes da Fiec e da Faec.  

Ricardo Cavalcante e Amílcar Silveira fizeram questão de destacar o esforço do governador Elmano de Freitas de levar consigo a representação do empresariado cearense para reunião com Geraldo Alckmin, “reafirmando e consolidando a parceria da iniciativa privada com o governo estadual”.  



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