Quer ficar rico, muito rico? Invista em algas marinhas, diz Gunter Pauli

O criador da Economia Azul cita seu projeto social na Tanzânia, onde mulheres que eram pobres hoje ganham muito dinheiro produzindo algas

Matéria por  Egídio Serpa
13 de Novembro de 2025 - 00:17
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Cascais (Portugal) -- Gunter Pauli, o economista e empresário belga que criou o conceito da Economia Azul e fundou o Zero Emissions Research Initiative (ZERI), alarmou os 29 integrantes da Missão Empresarial da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), que estão aqui aprendendo sobre a Economia do Mar. Ele disse na manhã de terça-feira, 11, que, dentro de 10 anos, os carros que hoje são elétricos passarão a ser movidos por hidrogênio verde. No início da noite, Pauli voltou a falar para os cearenses na Nova School for Business & Economics, em Cascais. E trouxe outra boa novidade, expressa a seguir com outras palavras: 

“Na Tanzânia, o nosso grupo (empresarial) reuniu dezenas de mulheres que hoje produzem e exportam algas marinhas, ganhando um bom dinheiro mensal. E quem quiser ficar rico, muito rico, deve investir na produção e no beneficiamento industrial dessas algas. O Brasil, com mais de 8 mil quilômetros de costa, tem tudo para produzir em larga escala algas marinhas e seus valiosíssimos subprodutos. As algas são tão valiosas quanto o petróleo, com uma vantagem: integram a Economia Azul, ou seja, é uma atividade 100% sustentável e mil vezes lucrativa.” 

Esta coluna, ouvindo o que disse Gunter Pauli, lembrou-se de um cearense que sabe tudo a respeito da produção, da industrialização e da comercialização de algas marinhas. É Cláudio Baima, um técnico graduado em Tecnologia da Informação, tendo prestado até recentemente, e durante vários anos, serviços profissionais à Petrobras. Residente em Fortaleza, ele tem pronto, à espera de um investidor, um projeto para a produção de algas em escala no litoral cearense. Foi Baima quem dirigiu a primeira empresa brasileira que, no Rio de Janeiro, produziu e industrializou algas. 

Há um ano, seu sonho de fazer do Ceará um polo produtor de algas marinhas quase se realizou. Faltou pouco. O empresário ao qual expôs em detalhes o seu projeto ficou entusiasmado com a possibilidade de investir no negócio, que, segundo Baima, tem um retorno no mínimo três vezes maior do que o obtido na carcinicultura, por exemplo. 

E qual é o investimento necessário para a verticalização do empreendimento, ou seja, produzir e agregar valor por meio da industrialização?  Ele responde: R$ 25 milhões, que podem ser financiados pelo BNB. 

E o licenciamento ambiental? -- indagou a coluna. Cláudio Baima respondeu com um largo sorriso:   

“Já é permitida a produção da Kappaphycus alvarezi, que é usada como espessante e gelificante natural. A biomassa residual, rica em minerais, serve para biofertilizantes, rações e suplementos minerais, e quase metade de sua massa seca é composta de carboidratos utilizáveis — o que a torna energeticamente eficiente e sustentável. Mas esta é só uma boa notícia. Há uma notícia ainda melhor: a produção dessa alga, que é a Ferrari das algas, pode ocorrer nos viveiros já existentes de criação de camarão, aproveitando a estrutura e as licenças ambientais das fazendas aquícolas. Em sistemas multitróficos (sistemas que integram espécies de diferentes níveis tróficos ou alimentares, como peixes, algas e moluscos, para criar um sistema de cultivo mais eficiente e sustentável, segundo o Google) a alga pode ser cultivada como segunda cultura, e as licenças da fazenda se estendem automaticamente ao cultivo complementar, sem necessidade de novos processos complexos.”   

Depois de ouvir o que disse Gunter Pauli e conhecendo a grande possibilidade que tem o Ceará -- ou qualquer estado nordestino – de aproveitar suas fazendas de criação de camarão para, também, produzir e beneficiar algas marinhas, esta coluna repete o que publicou na semana passada: sem nenhuma dúvida, este estado pode tornar-se pioneiro na produção e industrialização da carragenina no Nordeste, gerando empregos qualificados e atraindo investimentos em biotecnologia marinha.  

Hoje, o Brasil importa 90% de toda a carragenina (ou carragena) que consome sua indústria de alimentos, de cosméticos, de rações, biofertilizantes e suplementos minerais.   

“É uma pena que estejamos a desperdiçar as riquezas das algas marinhas”, diz Cláudio Baima, que não perdeu a esperança de fazer do Ceará um polo agroindustrial de produção de carragena e seus vários subprodutos. 

Em Icapuí, no litoral Leste do Ceará, um grupo de mulheres organizou-se em uma associação para produzir algas marinhas e a elas agregar valor, por meio da produção de cosméticos. Imaginem o que acontecerá quando e se isso ganhar escala agroindustrial. É o que gue garantem o belga Gunter Pauli e o cearense Cláudio Baima.



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