Óleo de algodão: cearense é o maior industrial do país

Décio Barreto Júnior, que inaugurou recentemente a maior fábrica do Brasil e a segunda do mundo, diz que empresários precisam conhecer a dinâmica de Mato Grosso

Matéria por  Egídio Serpa
23 de Julho de 2025 - 08:02
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Porque que o estado do Mato Grosso vai bem e é, hoje, modelo para o agro brasileiro? Foi a pergunta que 24 empresários cearenses da indústria e da agropecuária fizeram ontem, terça-feira, 22, ao seu colega Décio Barreto Júnior, conterrâneo de Icó, sócio majoritário e CEO do Grupo Icofort (pronuncie com força esta sigla e verá por que ela foi criada), hoje o maior industrial de beneficiamento de caroço de algodão do Brasil.  

Recentemente, ele inaugurou sua mais nova fábrica, uma gigantesca unidade industrial localizada no município mato-grossense de Nova Mutum – a maior do país e a segunda maior do mundo, capaz de processar 216 mil toneladas de caroço de algodão por ano e de refinar 108 mil toneladas anuais de óleo bruto.  

Discreto em tudo o que faz, Décio Júnior dividiu sua resposta em fatias verbais. A primeira fatia veio com a informação de que Mato Grosso “é como se fosse um outro país, mas um país de primeiro mundo”, onde as coisas funcionam sem a tradicional pressão da política ou de grupos exóticos de interesse. A segunda foi transmitida com o entusiasmo de quem convive bem de perto com a realidade mato-grossense: “Basta usar o computador e, pela internet, ter acesso aos vários serviços que o estado coloca à disposição dos empresários que já estão lá e dos que pensam em ir para lá”. E a terceira fatia foi explicitada com a narração de um fato: “Eu pedi para a minha empresa, pela via digital, um incentivo fiscal ao setor competente do governo de Mato Grosso. O que em outros estados chega a demorar no mínimo seis meses ou mais, foi respondido e concedido em menos de 30 dias” -- disse Décio Júnior. 

Com o entusiasmo de quem celebra a decisão de investir no local certo, na hora certa e na área de sua atuação na economia, ele disse mais sobre o que se passa naquele estado.  

“Ao contrário do que se vê na maioria dos estados brasileiros, em Mato Grosso as coisas acontecem de modo bem diferente. Em Nova Mutum, onde está nossa indústria, não há pedintes; as crianças, os adolescentes e os jovens estão ou na sala de aula das boas escolas do município e das faculdades locais, ou trabalhando em algumas das muitas empresas industriais, agroindustriais, agrícolas, pecuárias e do comércio. O índice de criminalidade lá é muito baixo, graças ao desenvolvimento econômico que o município experimenta e que garante quase o pleno emprego, e este quadro é o mesmo das demais regiões mato-grossenses”, contou ele. 

Inquirido pelos que o ouviam com atenção, Décio Barreto Júnior comentou que “é preciso que vocês conheçam a dinâmica de Mato Grosso”, onde há, de acordo com o seu depoimento, uma perfeita sintonia entre o interesse do estado e o interesse da iniciativa privada. Nessa dinâmica, a gestão estatal procura, com prioridade, investir na educação, na saúde e na segurança pública para garantir mão de obra qualificada bem-formada e bem-informada, saúde eficiente e infraestrutura que garanta o escoamento de sua produção agropecuária e agroindustrial.  

“É exatamente assim que acontece em Mato Grosso, e a quem duvida sugiro que viaje até lá para comprovar”, acentuou o dono da Icofort, que não escondeu sua alegria com o rápido progresso, lá, de outra empresa cearense de tecnologia, a Fertsan, cujos produtos – que fazem crescer em 30% a produtividade das lavouras -- estão sendo usados em larga escala por grandes empresas agrícolas do Centro Oeste do país.  

Respondendo a outra pergunta dos empresários que acompanhavam a sua fala, ele fez comentários acerca da necessidade de os governos estaduais, principalmente os do Nordeste, modernizarem seus processos burocráticos, principalmente os ligados ao licenciamento ambiental, que hoje é um sério inibidor de investimentos privados. E apontou a insegurança jurídica como outro entrave à atração de novas empresas e de novos investimentos.  

Décio Júnior também disse aos seus colegas cearenses do agro que, diante do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a todos os produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano, o cenário agora é de incerteza, pois esse fato misturou a economia com a política, e essa mistura, por si só, agrava o que já era grave.  



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