Mistério: rombo de R$ 20 bi na Americanas surpreende mercado

Nem a famosa auditoria PWC detectou o sumiço de tanto dinheiro. A Bolsa ontem fechou em nova e boa alta, o dólar desceu e subiu o preço do petróleo e do minério de ferro

Matéria por  Egídio Serpa
12 de Janeiro de 2023 - 04:46
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Ontem, no início da noite, o mercado financeiro nacional foi surpreendido com uma informação inacreditável: a rede de lojas Americanas, uma das gigantes do comércio varejista brasileiro, divulgou um Fato Relevante, anunciando que descobriu um rombo de R$ 20 bilhões em suas contas. 

O comunicado, assinado pelo presidente executivo da empresa, Sérgio Rial, que estava no cargo havia apenas 15 dias, afirma que foram detectadas “inconsistências contábeis” ligadas a contas de fornecedores. Sérgio Rial renunciou à presidência da empresa.

O mercado todo está fazendo duas perguntas: como é que um rombo de R$ 20 bilhões surgiu nas contas da Americanas? E como um rombo desse tamanho não foi detectado pelos auditores de uma das maiores empresas mundiais de auditoria, a PWC, sigla da PriceWaterhouve Coopers? 

Há muito mistério nas entrelinhas do Fato Relevante da Americanas. Reparem que estamos falando de uma empresa cujos sócios majoritários são três dos homens mais ricos do Brasil – Jorge Paulo Lemman, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira.

Durante o dia de hoje, teremos novos capítulos dessa novela em que se transformará o rombo de R$ 20 bilhões da Americanas. Talvez as ações da empresa, por este motivo, não sejam negociadas no pregão desta quinta-feira da Bolsa de Valores B3. 

E por falar na Bolsa, ela teve ontem mais um dia espetacular, fechando de novo em alta, e uma boa alta de 1,53%, aos 112.517 pontos. O dólar, por sua vez, caiu ainda mais, fechando o dia cotado a R$ 5,18, com queda de 0,40%.
 
Contribuíram para mais uma boa performance da Bolsa B3 a notícia de que, hoje, 12, será divulgado o índice de inflação nos Estados Unidos, e o mercado está sinalizando no sentido de que ele virá apontando para baixo, o que é um indício de que, provavelmente, o Federal Reserve, o Banco Central norte-americano, poderá manter inalteradas as atuais taxas de juros da economia do país.

Aqui no front interno brasileiro, tudo indica que já desapareceu a fumaça do incêndio que, domingo passado, ameaçou o edifício da democracia brasileira. 

O mercado deixou de olhar o retrovisor do vandalismo e agora está mirando o novo governo, cujo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pode anunciar, nos próximos dias, as primeiras medidas de política fiscal. 

Ontem, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, ajudou a pintar de azul a cena da economia, ao dizer, outra vez, que a austeridade fiscal é uma das ferramentas garantidoras das políticas sociais que adotará o governo do presidente Lula.
 
Na sua fala à imprensa, a ministra referiu-se à queda de 0,6% das vendas do comércio no último mês de novembro, citando que isso revela uma perda de força da atividade econômica agravada pelos juros altos que tornam mais caros os produtos de bens duráveis, como geladeiras, e também pelo endividamento das famílias. 

O que disse a ministra Simone Tebet animou o mercado, e a sexta alta consecutiva da Bolsa B3, registrada ontem, é uma prova. 

Nesta quinta-feira, diante dos bons resultados desta semana, é possível que os investidores realizem lucros, ou seja, vendam na alta o que compraram na baixa. É assim que eles operam.

E para fechar o quadro de boas notícias, o preço das principais commodities agrícolas e minerais subiu ontem: o do petróleo aumentou 3,48% na Bolsa de Londres, negociado a US$ 82,89 por barril, enquanto o minério de ferro, negociado em Cingapura, passou da marca de R$ 120 dólares por tonelada, fazendo subir a cotação das ações da Vale. 

O preço do minério pode subir ainda mais diante da forte expectativa de retomada da atividade econômica na China.  

 



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