Jornalistas oitentões reúnem-se e veem o ontem, o hoje e o amanhã

Lúcio Brasileiro, Fernando César Mesquita, Inácio de Almeida, Lúcio Alcântara, Luiz Joca e este colunista fomos recepcionados por João Soares Neto

Matéria por  Egídio Serpa
16 de Julho de 2025 - 06:47
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Encontramo-nos ontem na hora do almoço no pátio de alimentação do Shopping Benfica, cujo empreendedor e anfitrião, o empresário João Soares Neto, parecia um dos nossos, sorrindo de orelha a orelha, um sorriso de felicidade por haver vencido o desafio a que se impôs: reunir oitentões do jornalismo cearense para um par de horas de boa conversa fiada que nos levou ao passado remoto e recente, mas cheio de belas recordações, ao presente nebuloso e duvidoso e ao futuro tempestuoso.

Lúcio Brasileiro, que já passou dos 85; Inácio de Almeida, que caminha para os 87; Fernando César Mesquita, celebrando 85 bem vividos; e este colunista, a 40 dias de apagar 82 velinhas – comportamo-nos como focas do jornalismo, falando pelos cotovelos, relembrando cenas de quando a política e o soçaite ocupavam os melhores espaços dos jornais do Ceará. De economia, naqueles saudosos anos, quase não se falava.

Ao grupo juntou-se o ex-governador, ex-deputado, ex-senador Lúcio Alcântara, também oitentão, que ouviu com sorrisos as histórias que foram contadas.

Despojado como sempre – vestindo uma bermuda vermelha e uma tshirt amarela desbotada e uma chinela do tipo havaiana – Lúcio Brasileiro começou a contar histórias de Virgílio Távora, Waldemar de Alcântara, Paes de Andrade, Carlos Jereissati, Flávio Marcílio, Luiz Gentil, Raul Carneiro, Edson Queiroz, José Macedo e Ivens Dias Branco, e também de mulheres bonitas e elegantes, como Emília Correia Lima, a cearense que conquistou o título de Miss Brasil.

Fernando César Mesquisa não ficou atrás e falou bastante sobre atos e fatos do governo do seu amigo José Sarney, do qual foi assessor de imprensa e porta-voz. Mesquita foi o primeiro presidente do Ibama, cuja criação foi sua ideia logo aceita por Sarney. Ele foi o primeiro presidente do Ibama e o primeiro governador de Fernando de Noronha.

“Sempre gostei da natureza e a defendo em qualquer espaço que estiver, mas sem os exageros ideológicos”, esclarece;

Inácio de Almeida, que foi estrela do comando nacional do “partidão”, falou sobre seu grande amigo Roberto Freire, que, entendendo o avanço do mundo, trocou, em 1992, a sigla do PCB pela do PPS. Almeida, um dos mais antigos, admirados e queridos jornalistas cearenses, embarcou há 50 anos de Fortaleza para a Estação Brasília, onde vive até hoje, mas sem abandonar suas raízes socialistas conquistadas na juventude. Fernando César Mesquita fez o mesmo, mas agora reside em Fortaleza, no bairro do Mucuripe, onde curte sua boa aposentadoria.

E este colunista, que conheceu os três no começo dos anos 60 do século passado nas redações do O Povo, Unitário, Correio do Ceará, Gazeta de Notícias e O Jornal, foi apenas um coadjuvante do convescote de ontem, ao qual se juntou – por feliz acaso – o jornalista Luiz Joca, que, naquelas épocas, chegou à presidência do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Ceará.

O almoço, ah, sim, o almoço: foi no self service do Shopping Benfica: frango assado, peixe grelhado e salada verde. Tudo no 0800 do João Soares Neto, que aproveitou a reduzida plateia para dizer que seu empreendimento cresceu em progressão geométrica logo após a inauguração da estação do Metrofor, que se localiza 30 metros abaixo de seu shopping.

Recordar é viver.



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