Jean Paul Prates: mar cearense tem um som que o Brasil ainda não ouviu

Com ventos constantes, porto estruturado e conexão digital global, o Ceará está pronto para liderar a nova fronteira da energia limpa que o País ainda não enxergou.

Matéria por  Egídio Serpa
09 de Novembro de 2025 - 17:07
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O texto a seguir é de autoria do engenheiro Jean Paul Prates, chairman do Cerne – Centro de Estratégias em Recursos Naturais em Energia – ex-presidente da Petrobras e ex-senador pelo RN 

Pelo seu conteúdo e pela oportunidade, que coincide com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP 30, que se realiza em Belém, esta coluna, que mantém antiga e estreita relação com Paul Prates, publica-o em sua íntegra. Leia-o: 

“A COP30, em Belém, deveria ser a vitrine do Brasil como potência em energia limpa. Mas o tema das eólicas offshore, especialmente da Margem Equatorial, segue fora da pauta oficial. É um equívoco estratégico. 

“Estudos técnicos que serão divulgados em breve mostram que o potencial de geração de energia a partir dos ventos do mar, entre o Rio Grande do Norte e o Amapá, é colossal: seis vezes toda a eletricidade consumida hoje no País, com capacidade instalada quatro vezes superior à de toda a matriz elétrica nacional. 

“Durante minha gestão como presidente da Petrobras, reposicionamos a empresa como maior desenvolvedora de projetos de energia offshore do Brasil, em parcerias com companhias como a Equinor. Recolocamos a estatal no mapa da energia do futuro, mas o destino desses projetos hoje é incerto. 

“O Ceará desponta como um dos estados mais bem preparados para liderar essa transição. O Complexo do Pecém oferece base portuária e industrial privilegiada para a geração e o uso de energia limpa, enquanto Fortaleza se consolida como hub digital do Atlântico Sul, interligando o Brasil a cabos submarinos de dados e abrindo espaço para data centers e indústrias tecnológicas movidas a energia renovável. 

“Como senador, destinei, junto ao atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre, os recursos para o Atlas Eólico Offshore da Margem Equatorial, a ser lançado nas próximas semanas. O estudo confirma que Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí formam o núcleo da verdadeira nova fronteira energética do País. 

“O Brasil precisa mostrar ao mundo que a Margem Equatorial não é apenas petróleo e gás, mas também o berço da energia que moverá o nosso futuro.” 

O CEARÁ DIANTE DOS OUTROS INTERESSES 

Agora, a opinião seguinte é desta coluna, que aproveita o tema aberto por Jean Paul Prates meter sua colher de pau na panela das energias renováveis, principalmente, a gerada dentro do mar – a eólica offshore.  

Ora, é preciso destacar que o Ministério de Minas e Energia (MME) não gosta de eólicas. Pelo que se diz e se ouve nos corredores de Brasília, os técnicos do MME parecem mais simpáticos aos empresários que investem em térmicas movidas a gás, bicombustíveis e combustíveis fósseis, o carvão mineral no meio. 

Geraram uma crise artificial nas renováveis e agora tentam impingir a imagem de “não confiável, exagero, lobby”, quando na verdade querem abrir oportunidade forçada para queimar gás, milho e soja. Tem mais: adiam propositalmente soluções simples no sistema de transmissão e nos leilões para baterias. Uma fonte importante e muito bem-informada do setor de energia confessou à coluna: 

“Querem agravar a crise para vender falsas soluções. Prejudicam a região nordestina sem que ninguém proteste, inclusive governadores aliados do governo, entre os quais há, aliás, “um grande constrangimento”.  

 



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