Honório Pinheiro na CDL Jovem: "Evitem emprego público"

O sócio e CEO da rede Supermercados Pinheiro falou para 125 jovens empresários e explicou por que no Ceará são as redes locais e não as nacionais e estrangeiras que lideram o varejo

Matéria por  Egídio Serpa
12 de Fevereiro de 2025 - 03:51
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Para um auditório superlotado com 125 empresários da CDL Jovem de Fortaleza, liderados por sua simpática e desenvolta presidente Mayra Dias Thé, o empresário Honório Pinheiro, sócio e CEO da rede de Supermercados Pinheiro, falou ontem durante 60 minutos, na hora do almoço, no Coco Bambu do Iguatemi, sobre sua vida empresarial, transmitindo ensinamentos aos que estão ingressando agora no empreendedorismo do varejo. Entre os presentes, o presidente da CDL Fortaleza, Assis Cavalcante.

Para começar, Pinheiro disse que só acredita e só investe em quem tem vontade de progredir. E citou como exemplo dessa vontade os jovens estudantes cearenses que, anualmente, se tornam campeões do vestibular do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o famoso ITA, de São José dos Campos, que, no fim deste ano, promoverá o primeiro vestibular para a sua unidade de Fortaleza, já em construção, que será a primeira fora do Estado de São Paulo.

Honório Pinheiro contou que, quando estava começando sua carreira no mundo dos negócios, há 33 anos, tentou ser sócio da Associação dos Jovens Empresários, a AJE, mas isto lhe foi negado porque ele não era jovem; depois, tentou filiar-se à Associação Cearense de Supermercados , a Acesu, mas aí também foi recusado porque sua nascente empresa só tinha uma loja; em seguida, procurou a CDL e aí também lhe fecharam as portas sob o argumento de que a atividade supermercadista nada tinha a ver com o comércio lojista.

Mas sua perseverança o levou a ser presidente da CDL de Fortaleza, presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará e presidente da Confederação Nacional das Câmaras de Dirigentes Lojistas. E aconselhou aos jovens que o ouviam:

“Para ninguém vocês devem fechar as portas, nem para os seus inimigos, porque um dia você precisará deles”.

Falando sob um silêncio sepulcral e ouvido com absoluta atenção pelo plenário, Honório Pinheiro sugeriu que os jovens presentes batalhem no sentido de evitar dos tipos de emprego: o de genro e o público, pois ambos só dão o que falar. E transmitiu novo conselho:

“Leiam o livro ‘Nunca fiz nada sozinho’, que eu escrevi como inspiração para as atuais e futuras gerações; é uma história construída de maneira muito semelhante à de vários empreendedores que triunfaram impulsionados pela força da necessidade econômica”.

O livro – prefaciado por Edson Queiroz Neto, cujo avô, fundador do que é o hoje o Grupo Edson Queiroz e criador da Universidade de Fortaleza (Unifor), deu a Honório uma bolsa integral “porque eu não tinha condições de pagar pelo curso na Unifor, onde me graduei advogado, administrador e psicólogo” – é mesmo uma história de vida, fundamentada até hoje em três palavras: acreditar, preparar e parceirizar. 

“O acreditar está na dimensão da crença, pois sem acreditar nada se faz; o preparar significa estudar para conhecer e realizar o que é grande; e o terceirizar é a certeza de que, sozinho, o homem constrói minimamente”, disse Honório Pinheiro sob aplausos.

Ele explicou que todos os seus negócios, desde o primeiro com seu irmão Bosco, foram feitos em parceria com seus familiares, “e esta é uma das razões do sucesso de nossa empresa”.

Pinheiro disse que a Inteligência Artificial (IA) é usada pela rede Supermercados Pinheiro há mais de um ano. Entre as tarefas delegadas pela direção da empresa à IA está a revisão dos contratos, “e isto tem sido de uma economia extraordinária de tempo e de pessoas”.

O orador, instigado pela presidente da CDL Jovem, abriu-se para perguntas. Indagado sobre como os supermercadistas cearenses conseguiram enfrentar e vencer a concorrências das grandes redes nacionais e estrangeiras que atuam no Ceará, Honório Pinheiro disse que o principal responsável “é o posicionamento do empresário e do consumidor locais, que têm um jeito de ser completamente diferente dos outros”. Ele explicou:

“Neste particular, nosso professor foi o saudoso João Melo, fundador da rede Mercadinhos São Luiz, “muito bem-sucedido pelo talentoso Severino Ramalho Neto”. João Melo descobriu as manhas, as características e o jeito próprio do consumidor cearense de comportar-se diante das gôndolas dos supermercados.

“João Melo entendeu isso e nos transmitiu as lições que aprendeu. E nós aprofundamos esse relacionamento com nossos clientes, e esta é a razão do sucesso dos supermercados cearenses e, principalmente, da rede Supermercados Pinheiro”.

Honório encerrou, revelando que, no comércio varejista brasileiro, “só no Ceará é forte, muito forte, a influência das redes regionais no varejo supermercadista.”



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