Embrapa diz que cajucultura vai bem. No Rio Grande do Norte

Pequenos produtores potiguares, parte dos quais de assentamentos, expandem suas áreas de produção com cajueiro anão precoce, usando mudas cultivadas por viveiristas, como informa Gustavo Saavedra, chefe a Embrapa Agroindústria Tropical;.

Matéria por  Egídio Serpa
04 de Dezembro de 2023 - 08:51
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Segue o debate sobre a cajucultura nordestina – a do Ceará no centro dele por ser o maior produtor e, também, o maior exportador brasileiro de amêndoa do caju. 

Esta coluna, com base em opiniões de um grande agroindustrial do setor, publicou sexta-feira, 1º, a informação de que a atividade enfrenta uma grave crise que tem como raiz a falta de investimento na troca do cajueiro antigo, de copa larga e baixa produtividade, pelo cajueiro anão precoce, que tem alta produtividade e produção três vezes maior, mas cultivá-lo em escala custa caro.
   
Hoje, quem entra no debate é Gustavo Saavedra, chefe-geral da Embrapa Agroindústria Tropical, com sede no bairro do Pici, em Fortaleza. Ele transmitiu à coluna um conjunto de ideias, informações e comentários que são os seguintes, na íntegra:

“Na semana passada, a Embrapa organizou um encontro de cajucultores no Rio Grande do Norte, para o qual levamos produtores cearenses, piauienses, técnicos de Roraima e até investidores paulistas.

“O que se viu, primeiro foi cajucultura com genética e manejo de ponta. Segundo, viram-se cajucultores, de médio e pequeno portes, sendo estes assentados, muito felizes, ganhando dinheiro e expandindo suas áreas de produção.

“Pequenos produtores que usam genética e sistema de produção intensivo já entenderam que caju – como em qualquer negócio agrícola – precisa de investimento antes de gerar receita.

“E aqui não estou falando, de investimento estatal, mas exclusivamente de investimento privado, muitas vezes próprios, mas também com grande suporte do Banco do Nordeste (BNB).

“No encontro, todos puderam conversar com produtores, pequenos volto a frisar, que estão comprando terras, tratores e diversos implementos para produzir caju. Pequenos produtores com áreas em torno de 10 a 20 hectares.

“Eles também estão inovando, desenvolvendo máquinas para diferentes finalidades.

“Com o apoio do Sindicato Rural da região, estabeleceram, além de um Arranjo Produtivo Local, ambientes de inovação que estão fazendo a diferença.

“Eles conseguiram quebrar o modelo mental da castanha, como único produto da atividade. 

“Na mesma área, eles conseguem produzir durante, praticamente, os 12 meses do ano em sequeiro (com água da chuva), diga-se de passagem. 
“Eles produzem caju para processamento industrial, castanha, mel e caju de mesa para venda nas feiras.

“Eles são produtores que, com capacitação, aprenderam a usar todo o potencial dos clones da Embrapa, e chegam a produzir por volta de 1.500 quilos de castanha por hectare/ano e 9 mil quilos de pedúnculo por hectare/ano para processamento industrial.

“O caminho para a cajucultura brasileira, e para os industriais da castanha, é investir no pedúnculo. Nossas relações trabalhistas e nossos custos, graças a Deus, não são africanos.

“Podemos dar a volta por cima com a tecnologia que temos, com o uso intensivo dela e, sobretudo, por meio da reestruturação da cadeia produtiva. 

“Industrial de castanha de caju que não abraçar o pedúnculo, ou estará fora do mercado brasileiro de amêndoa, ou terá de mudar-se realmente para a África ou a Ásia.

“Algo que também tenho falado em todas as minhas palestras é que a ausência de décadas de política de estado para a cajucultura contribuiu demais para o estrago que estamos vivendo. 

“Todos os países que trabalham com caju têm políticas de estado para a cultura, menos o Brasil. E isto vale para o nível federal e, igualmente, para os três principais estados produtores (Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí).

“Não basta política agrícola decente. Precisamos de política industrial, pois o caju e uma fruta basicamente industrial.”



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