Congresso garante direitos de quem produz sua própria energia

MP 1304, aprovada pelo Parlamento, mantém garantias previstas no marco regulatório da Geração Distribuída.

Matéria por  Egídio Serpa
07 de Novembro de 2025 - 09:21
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Para o cearense Lucas Melo, especialista em energia e presidente da Frente Cearense de Geração Distribuída, a Medida Provisória 1304/2025, aprovada pelo Congresso Nacional, trouxe alívio ao mercado de energia solar ao manter as garantias previstas na Lei 14.300/2022, marco legal da geração distribuída (GD). O texto preservou o modelo de compensação de energia adotado pelos consumidores que geram a própria eletricidade, assegurando a continuidade da economia nas contas de luz e a estabilidade regulatória do setor. 

 De acordo com Melo, o posicionamento do governo reflete a importância da previsibilidade para o crescimento do mercado.  

“A MP 1.304 reafirma que quem investiu na energia solar pode seguir com tranquilidade. O retorno financeiro do setor permanece altamente competitivo no Brasil, e isso fortalece a confiança de novos investidores”, disse ele à coluna. 

A medida também acelera a abertura do mercado livre de energia para pequenos consumidores, em até 24 meses para comércios e 36 meses para residências, o que deve ampliar a concorrência e reduzir tarifas no longo prazo. Na opinião de Lucas Melo, mesmo com a mudança, a geração própria continuará sendo estratégica:  

“Produzir a própria energia segue como proteção contra a alta dos custos e se consolida como um investimento de longo prazo”, afirmou.  

Outro avanço considerado estruturante é o incentivo ao armazenamento de energia. A desoneração tributária prevista para sistemas de baterias entre 2026 e 2030 permitirá a evolução de novos modelos de consumo, mais independentes da rede elétrica. 

“Armazenar energia solar é o próximo salto da transição energética brasileira. Isso melhora a qualidade do fornecimento e torna o consumidor protagonista de um sistema mais inteligente e descentralizado”, acrescentou Lucas Melo.  

Apesar dos pontos positivos, ele adverte que é necessário cautela em relação a outras medidas em debate no Congresso, como a prorrogação de térmicas fósseis.  

“Precisamos garantir que o avanço da geração distribuída não seja minado por incentivos a fontes mais caras e poluentes. O Brasil já provou que as renováveis são o caminho mais eficiente para unir competitividade, sustentabilidade e inclusão”, disse ele.  

O setor segue como um dos motores da economia verde no país. A geração distribuída solar já beneficia cerca de 20 milhões de brasileiros, gera empregos qualificados e contribui para a descarbonização da matriz elétrica, reforçando o papel do consumidor como agente da transição energética em curso. O setor de energia deve manter ritmo acelerado de expansão em 2025, com mais de R$ 39 bilhões em investimentos previstos e cerca de 13,2 GW de nova potência solar adicionada no país, somando geração centralizada e distribuída, com a GD representando grande parte deste avanço. O Brasil, inclusive, é líder mundial em energia solar distribuída, com mais de 5 milhões de sistemas instalados.   

No Ceará, que possui um dos melhores índices solares do planeta, o avanço da GD é ainda mais expressivo e desempenha papel chave no desenvolvimento econômico regional.  

“O Ceará abraçou a energia solar como oportunidade de prosperidade. Não vamos aceitar nenhum retrocesso que prejudique os consumidores e os pequenos investidores”, concluiu Lucas Melo. 



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