Boletim Focus reduz inflação para 4,95% em 2025

Novo recuo tende a aliviar a pressão sobre os juros futuros, especialmente no médio e longo prazos, diz economista

Escrito por Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
18 de Agosto de 2025 - 10:11
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Mais uma vez, o Boletim Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira, trouxe previsão de queda da inflação, agora para a casa de 4,95%. Na semana passada, a projeção era de 5,05%.

O economista André Matos, CEO da MA7, empresa que atua no mercado financeiro, analisou assim as novas projeções do boletim, que é elaborado pelo BC com base nas opiniões de 100 economistas de instituições do mercado. Ele comenta: 

“O Boletim Focus desta segunda-feira trouxe novas revisões do mercado. A expectativa de inflação para 2025 recuou novamente e agora está em 4,95%, marcando a 12ª queda consecutiva. Para os anos seguintes, praticamente nada mudou: 4,40% em 2026, 4% em 2027 e 3,80% em 2028.  

“Já as projeções para câmbio, PIB e Selic seguem estáveis, com o dólar no fim de 2025 em torno de R$ 5,60, crescimento da economia em 2,21% e juros parados em 15% no curto prazo.  

“O recado por trás desses números é claro: o processo de desinflação continua em andamento, mas o Banco Central ainda prefere manter a política monetária rígida, em função do cenário fiscal delicado e das incertezas externas.  

“O recuo na projeção de inflação tende a aliviar a pressão sobre os juros futuros, especialmente no médio e longo prazos. Isso pode beneficiar ativos de renda variável sensíveis ao crédito, como consumo e varejo, caso o cenário fiscal melhore. Já a manutenção da Selic no curto prazo mantém o terreno firme para a renda fixa, atraente para investidores mais conservadores.   

“A leitura é de que a inflação está convergindo gradualmente à meta, mas ainda há ruídos internos especialmente fiscais e externos, como o tarifaço.  

“O cenário é de ajuste lento e cuidadoso: os juros começam altos para a inflação, mas só devem recuar com mais segurança se houver melhora nos fundamentos fiscais e estabilidade nos mercados globais. Juros altos por mais tempo geram mais inadimplência e oportunidades de aquisição de créditos com desconto.  

“Ao mesmo tempo, inflação moderada melhora a previsibilidade de receita e a recuperação desses ativos. Portanto, estamos atentos a timing preciso, qualidade dos recebíveis e estruturação jurídica sólida, pois é quando o mercado está cauteloso que surgem retornos potencialmente atraentes nas hipóteses certas.” 



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