Telescópio Espacial James Webb descobre as primeiras galáxias do universo

Quando olhamos para as estrelas no céu estamos vendo uma imagem do passado, pois a luz emitida por elas leva um tempo para chegar até nossos olhos

Matéria por  Ednardo Rodrigues
28 de Fevereiro de 2023 - 14:00
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Quando olhamos para as estrelas no céu estamos vendo uma imagem do passado, pois a luz emitida por elas leva um tempo para chegar até nossos olhos. A luz do Sol, por exemplo, demora cerca de 8 minutos para chegar até nós, ou seja, isso significa que vemos como nossa estrela era há 8 minutos. Assim, podemos dizer que o Sol está a uma distância de 8 minutos-luz.

A estrela mais próxima do Sol está a 4,3 anos-luz de distância. Ela fica na constelação do Centauro, por isso foi chamada de Próxima Centauri. As estrelas mais distantes da nossa galáxia estão a um raio de 100.000 anos-luz, ou seja, estamos vendo essas estrelas como eram há 100.000 anos.

Para o tempo de vida das estrelas é algo insignificante, porém é bem maior do que a história da humanidade que começou com a invenção da escrita há 6.000 anos.

Se uma civilização com tecnologia equivalente à nossa tivesse se desenvolvido ali, na visão deles, nós ainda estaríamos na era do homem das cavernas, porque quanto mais distante olhamos para o céu, mais no passado enxergamos.

Praticamente, todas as estrelas que vemos no céu noturno pertencem à Via-Láctea. Fora dela, não conseguimos ver estrelas isoladas, vemos galáxias por inteiro. As mais próximas são a Pequena e a Grande Nuvem de Magalhães, duas galáxias irregulares orbitando a nossa. A notável galáxia de Andrômeda está a 2,5 milhões de anos-luz, uma das poucas galáxias que se aproxima da nossa, juntamente com a galáxia do Triângulo. 

Na imagem de céu profundo capturada pelo telescópio espacial James Webb, os pontos brilhantes azuis são estrelas da Via-láctea, enquanto todos os demais pontos são galáxias inteiras com bilhões de estrelas cada uma. Essa imagem quebrou um importante recorde ao observar a galáxia mais distante que o ser humano conseguiu detectar, que está a 13,2 bilhões de anos-luz. 

Imagem de céu profundo do Telescópio Espacial James Webb. As estrelas azuis com oitos raios de luz pertecem a nossa galáxia. Os demais pontos são galáxias contendo cada uma bilhões de estrelas
Legenda: Imagem de céu profundo do Telescópio Espacial James Webb. As estrelas azuis com oitos raios de luz pertecem a nossa galáxia. Os demais pontos são galáxias contendo cada uma bilhões de estrelas
Foto: Reprodução/NASA, ESA, CSA, STScl

Como explicado anteriormente, quanto mais distante nossa visão viaja no céu profundo, mais primitivos deverão ser os objetos que observamos, contudo, um estudo publicado na revista Nature no dia 23 de fevereiro de 2023 mostrou que seis galáxias da foto eram mais desenvolvidas do que o esperado, pois apresentavam 100 vezes mais massa do que as outras. Isso significa que elas podem ter idade avançada em um universo jovem.

Após o Big Bang, as partículas elementares espalhadas pelo universo deveriam demorar bilhões de anos para gerar galáxias tão grandes. Porém, elas estão sendo observadas ali no universo primordial com apenas 600 milhões de anos. Seria como se olhássemos para o passado e víssemos civilizações mais avançadas do que a nossa atualmente. 

Isso pode representar uma revolução na compreensão do universo. Talvez seja uma evidência de que a teoria do Big Bang esteja errada e sejam galáxias de origem diferentes das demais galáxias.

Possivelmente, outro Big Bang? Será que esbarramos em outro universo? As evidências ainda são muito recentes e não podemos tirar conclusões precipitadas. Novos dados estão sendo levantados por outros equipamentos capazes de identificar os elementos químicos presentes nessas galáxias.

Devemos aguardar os resultados dos estudos, pacientemente, antes de fazermos grandes afirmações, pois, assim como disse o grande divulgador científico e astrofísico, Carl Sagan: "alegações extraordinárias requerem evidências extraordinárias". 



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