Cearense fotografa cometa mais brilhante do que o cometa do século; veja imagem

É bom avistar o quanto antes, pois é possível que seu núcleo se desintegre ao passar próximo ao Sol

Matéria por  Ednardo Rodrigues
22 de Janeiro de 2025 - 15:14
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Mesmo com a predominância de tempo nublado no Ceará, o céu se abriu como num conto bíblico para presenciarmos um dos fenômenos mais belos da natureza, a passagem de um cometa. 

Um cearense estava com as câmeras prontas para não perder este momento único e compartilhar conosco o registro fantástico do C/2024 G3 ATLAS. O nome cometa vem do telescópio usando na sua descoberta em abril de 2024, Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System (ATLAS). O nome também é uma referência a Atlas, o titã punidos por Zeus a segurar o céu após a derrota na gigantomaquia. 

O cometa foi registrado pelo cearense Jackson bezerra, 23 anos, do município de Barbalha-CE, estudante de veterinária e um ótimo astrônomo amador. Ele usou uma câmera Canon sl2 com uma lente 200 mm F2.8 L e um tripé fixo. Movimento não é bom para astrofotografia a não ser que seja usado um acompanhamento automático GOTO para sincronizar com o movimento de rotação da Terra. A imagem ficou excelente, pois a atmosfera estava limpinha.

E mais: eu percebi e você deve ter percebido também que ao andar sob o Sol, sua pele está aquecendo mais do que o normal. Isso acontece porque a chuva limpa a atmosfera baixa e os raios solares passam com mais facilidade. Por isso use protetor solar ao sair de casa (ao ficar na frente de telas também). E mesmo com tempo nublado, a radiação ultravioleta atravessa as nuvens. 

Como observar o cometa? 

O cometa pode ser observado com magnitude 2 após o pôr do Sol e no mesmo lado do pôr do Sol até às 19h. Isso significa estar visível a olho nu. Procure pelos dois atros mais brilhantes (desconsidere a Lua). Na verdade é Vênus e Saturno. Imagine uma linha ligando esses dois planetas até o horizonte. O cometa está logo à direita na constelação de Peixes Austrais a uma distância de pouco mais de 150 milhões de quilômetros de nós. Usar um binóculo ajuda. Não precisa ser de um telescópio. Procure lugares escuros e seguros. 

É bom avistar o quanto antes, pois é possível que seu núcleo se desintegre ao passar próximo ao Sol. Aí vamos ter um cometa sem cabeça. Essas são as minhas dicas e parabéns ao Jackson pelo registro magnífico. Ele tem muito mais fotos espetaculares de galáxias, nebulosas e outros objetos de céu profundo nas redes sociais (@astrofotografia.ce). 

*Este texto reflete exclusivamente a opinião do autor. 



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