Lázaro, Borba Gato e o agricultor armado da Secom: diferentes, porém semelhantes

Matéria por  Durval Muniz de Albuquerque Jr
03 de Agosto de 2021 - 06:00
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Em 20 de junho de 2021, Lázaro Barbosa, depois de vinte dias de cerco e perseguição policial, é morto pela polícia de Goiás, no município de Águas Lindas, com uma centena de tiros. No dia 24 de julho de 2021, um grupo identificado como Revolução Periférica põe fogo na estátua do bandeirante Borba Gato, na cidade de São Paulo. No dia 28 de agosto de 2021, a pretexto de comemorar o dia do agricultor, a Secretária de Comunicação do governo federal publica uma peça publicitária, em que se vê a imagem de um jagunço, um homem armado, que representaria o homem do campo brasileiro.

O que esses três acontecimentos, aparentemente tão díspares, tão distintos, ocorridos em momentos e lugares diferentes, têm em comum?

Eles remetem à histórica relação entre violência armada e formação e manutenção da estrutura fundiária brasileira, a relação entre conquistas de terras, manutenção e expansão do latifúndio no País. Os bandeirantes se tornaram grandes proprietários de terras, recebendo doações e mercês reais, recebendo, diretamente da Coroa portuguesa, a doação das terras que eles haviam “limpado” da presença de indígenas ou da presença de negros escravizados, fugitivos e aquilombados.



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