De Bacurau ao chapéu usado por Juliette: devemos nos orgulhar do cangaço?

Matéria por  Durval Muniz de Albuquerque Jr
01 de Junho de 2021 - 05:00
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Primeiro foi o filme Bacurau, de Mendonça Filho, a reatualizar o imaginário do cangaço, com a famosa cena das cabeças degoladas dos integrantes do bando de Lampião, arrumadas em pose de retrato de família, na escadaria da igreja. Depois o fenômeno Juliette, com sua personagem, construída pelo marketing, portando sempre, orgulhosa, de cabeça erguida, um chapéu de cangaceiro. Nas redes sociais, até grupos feministas a se nomear de cangaceiras, símbolo que seria de bravura, de resistência, de coragem, de luta. 

Em tudo isso, uma certeza, o cangaço e o cangaceiro fazem parte das mitologias que sustentam o discurso da identidade regional nordestina, e, como toda mitologia, tem muito pouco a ver com a realidade histórica do que foi esse fenômeno e foram esses personagens. Desde a Grécia antiga, o discurso da história surgiu para se contrapor ao mito, para colocar no tempo e na realidade terrena e prosaica dos homens, aquilo que parecia habitar o intemporal e as esferas do sagrado, do mitológico.



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