Cangaço de novo? A falta de imaginação na produção cultural sobre o Nordeste

Matéria por  Durval Muniz de Albuquerque Jr
08 de Março de 2022 - 06:00
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A Amazon Prime Vídeos tem anunciado com estardalhaço a filmagem de uma nova minissérie nacional, que será mostrada para vários países, intitulada Cangaço Novo. Dividida em oito episódios com duração de uma hora, a trama se passa numa cidade fictícia do interior do Ceará chamada Cratará (a remissão a carcará, a famosa ave sertanejada que deu nome a composição de João do Vale e José Cândido, que lançou para a fama Maria Bethânia, no show Opinião, é explícita. Carcará é também o título de um livro de Ivan Bichara, lançado em 2019, que trata, justamente, da vida de uma pequena cidade do sertão da Paraíba, amedrontada com a possibilidade de ser invadida pelo bando de Lampião), em que a memória do cangaço se articula com o que seria a prática do que se vem chamando de novo cangaço, ou seja, a invasão diurna ou noturna de pequenas cidades do interior por quadrilhas de assalto a banco que, fortemente armados, tomam como reféns os bancários, clientes ou qualquer morador que esteja passando nas ruas, fazendo-os de escudos humanos, imobilizando as forças policiais e causando pânico na população.

O personagem principal, Ubaldo, interpretado pelo ator pernambucano Allan Souza Lima, segundo a sinopse distribuída, é um bancário que vive infeliz em São Paulo, (o primeiro entre vários clichês e lugares comuns presentes no roteiro: o nordestino que vive infeliz em São Paulo e espera uma oportunidade para voltar ao sertão) e não se recorda de sua infância. A volta ao sertão se dá porque ele descobre que tem uma herança para receber (e como veremos essa herança não é apenas material, ele vai herdar também toda uma herança simbólica: a fama e prestígio do seu pai, que foi cangaceiro) e tem duas irmãs que aí vive e ele desconhecia: Divânia que chefia um culto a memória de seu pai, um culto ao cangaceiro morto e Dinah, única mulher a fazer parte de uma quadrilha que assalta bancos.



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