Vida longa ao Grupo de Resistência Asa Branca

No país que mais mata pessoas LGBTI+ no mundo, emprestar o rosto à defesa da livre orientação sexual e identidade de gênero ainda é um ato de coragem

Matéria por  Dediane Souza
30 de Maio de 2024 - 09:00
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Orgulho é palavra bonita, mas para muitos de nós, Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Pessoas Intersexo, sentir orgulho de si pode ser uma requisição ainda muito distante. Afinal, pode alguém, historicamente assujeitado e alienado de sua própria história, desenvolver um profundo senso positivo sobre o seu próprio valor no mundo? Das representações rupestres homoeróticas às gigantescas Paradas pela Diversidade, da escravizada Xica Manicongo à Deputada Federal Erika Hilton, quantos fatos e personagens históricos foram silenciados pela LGBTI+fobia, adiando o encontro com a nossa memória, orgulho e sensação de pertencimento?

No país que mais mata pessoas LGBTI+ no mundo, emprestar o rosto à defesa da livre orientação sexual e identidade de gênero ainda é um ato de coragem. Não à toa, em 1989, poucos foram os que ousaram enfrentar coletivamente o estigma da Aids e a violência brutal contra jovens homossexuais e travestis no Ceará. É por essa razão que precisamos celebrar os 35 anos de fundação do Grupo de Resistência Asa Branca – GRAB, honrar e dizer o nome das pessoas que deram vida a uma das mais antigas organizações de luta por direitos de LGBTI+ ainda ativas no Brasil.

Preciso situar aqui que, antes de qualquer debate sobre “letramento”, foi (e é) o movimento social o lócus privilegiado de compreensão e de educação política sobre nossas experiências. Dito isso, como não pensar que o GRAB foi a escola de diversas lideranças que contribuíram (e ainda contribuem) ao combate à discriminação e cujos esforços resultaram na emergência, ainda que deficitária, das atuais políticas públicas para LGBTI+ em nosso estado? Cito, por exemplo, o papel de Alan Gomes, Janaína Dutra e Luís Palhano Loiola.

Alan nasceu em Quixeramobim, foi policial civil, modelo e o primeiro presidente do GRAB. Antes de falecer em 1991, vítima de complicações relacionadas à Aids, Alan reuniu um grupo de pessoas para produzir respostas comunitárias pioneiras na prevenção ao HIV e de suporte para outras pessoas vivendo com o vírus no Ceará, denunciando o descaso do Estado.

Janaína Dutra foi vice-presidenta do GRAB e a primeira travesti a obter registro profissional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ela entendeu cedo a importância de ocupar espaços de aliança, mas que luta por direitos só produziria efeitos emancipatórios se todas as vozes fossem ouvidas em suas singularidades, ajudando a construir a primeira organização nacional específica de travestis, bem como a Associação de Travestis do Ceará - ATRAC.



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