As Bets, o endividamento das famílias e a preocupação do varejo com a queda no consumo

Escrito por Ana Alves producaodiario@svm.com.br
10 de Setembro de 2024 - 07:00
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Voltamos a falar sobre as plataformas de apostas online. Segundo pesquisa do Instituto Locomotiva, cerca de 3,5 milhões de pessoas acessam todo mês as plataformas de jogos online, as chamadas bets.

Para se ter uma ideia dessa velocidade, o intervalo de tempo é maior do que o coronavírus levou para contagiar o mesmo número de pessoas no Brasil – 11 meses, entre 26 de fevereiro de 2020 e 28 de janeiro de 2021.

Os dados fazem parte de pesquisa de opinião do Instituto Locomotiva, aplicada entre os dias 3 e 7 de agosto. O hábito de tentar a sorte nas plataformas eletrônicas atinge uma população no Brasil do mesmo tamanho do número de habitantes da Colômbia e superior à de países como Coreia do Sul, Espanha e Argentina.

O levantamento traçou um perfil dos apostadores de bets. Cinquenta e três por cento são homens e 47% são mulheres. Quatro de cada dez jogadores têm entre 18 e 29 anos; 41% estão na faixa etária de 30 a 49 anos; e 19% têm 50 anos ou mais. Oito de cada dez são pessoas das classes CD e E; e dois de cada dez são classe A ou B.

Os dados nos trazem a realidade por trás das apostas no Brasil e nos fazem refletir o quanto isso pode impactar na vida financeira familiar. Volto a falar desse assunto porque recentemente um amigo me pediu ajuda, pois acreditava que precisava se tratar com um psicólogo já que reconhecia o seu vício nos jogos online. Saudades tristes e alarmantes.

Apostadores negativados na Serasa

O Instituto Locomotiva também verificou que 86% das pessoas que apostam têm dívida e que 64% estão negativados na Serasa. Do universo de pessoas endividadas e inadimplentes no Brasil, 31% jogam nas bets.

A situação econômica ajuda a entender por que “ganhar dinheiro” é a principal razão apontada para fazer apostas esportivas online (53%) – acima de “diversão/entretenimento/prazer” (22%); “emoção e adrenalina” (10%); “passar o tempo” (7%); “curiosidade” (6%); e “aliviar o estresse” (2%).

Diante de tudo isso, o próprio setor de varejo começou a se preocupar, já que o uso dos recursos da família para apostas online passou a dividir o orçamento familiar.

São direcionados a jogos, agora, parte do dinheiro que costumava ser direcionado para poupança (segundo 52% dos respondentes) ou bares, restaurantes e delivery (para 48% dos respondentes) são agora usados para as apostas. Compras de roupas e acessórios (de acordo com 43% dos respondentes) e cinemas, teatros e shows (para 41% dos respondentes) também perderam recursos para as apostas.

Neste cenário brasileiro de utilização extrema do pouco recurso que existe na família direcionado a ilusão do ganho de dinheiro fácil, através das plataformas de jogos online, o que se percebe é o agravamento do endividamento brasileiro do aumento da desigualdade financeira e da dependência e ilusão de sair da situação financeira preocupante de uma forma rápida e fácil.

Se você faz parte desse quadro, preste atenção: não existe ganho fácil, portanto, faça como meu amigo, reconheça sua dependência destes jogos e, a cada dia, busque sair desse vício.

Busque ajuda de amigos, de familiares e encare realidade financeira. É, sim, possível sair desse ciclo de endividamento com paciência, dedicação, comprometimento e ajuda de profissionais. Mais uma vez me coloco à disposição para ajudar quem precisa

Pensem nisso! Até a próxima.

Ana Alves
@anima.consult
emaildaanaalves@yahoo.com.br
Economista, Consultora, Professora e Palestrante

*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião da autora.



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