Economia do Ceará em 2022 vai crescer?

Matéria por  Allisson Martins
18 de Janeiro de 2022 - 06:00
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Os juros em alta, a inflação persistente e alta volatilidade nos mercados financeiro e cambial, são alguns dos “ingredientes” da economia brasileira para o ano de 2022. Em outro sentido, espera-se melhora no nível de emprego e no avanço no setor de Serviços e nas vendas do varejo.

Neste cenário, combinado com a disputa eleitoral acirrada e a pandemia ainda no radar, desenha-se um quadro econômico de baixo crescimento do PIB no Brasil, por volta de 0,5%, mas com possibilidade de um cenário mais pessimista, com retração da atividade econômica, caso haja deterioração de variáveis macroeconômicas, ou mesmo com novas ondas/cepas de Covid.

No contexto local, a nossa economia vem se destacando ao longo dos anos, sobretudo por apresentar crescimento superior ao Brasil. De 2013 a 2021, conforme informações do IBGE e do IPECE, a performance da economia cearense apresentou melhor resultado que o Brasil em 6 dos 9 anos do período.

O QUE ESPERAR DA ECONOMIA CEARENSE EM 2022?

No olhar prospectivo, o Núcleo de Práticas em Economia – Nupe, vinculado ao curso de Ciências Econômicas da Universidade de Fortaleza, realizou estimativas econômicas, fundamentadas em modernas técnicas macroeconômicas e econométricas, de forma a “jogar luz” sob o panorama econômico para o ano de 2022.

O NUPE, em relatório recente, aponta que a economia cearense, no cenário provável, deve crescer 1,6% em 2022, portanto, melhor que o Brasil.

Ademais, caso as variáveis macroeconômicas, como juros e inflação não sejam tão danosas ao consumo e a renda, bem como as atividades de serviços apresentem resultados mais alvissareiros, a exemplo do turismo, pode-se esperar um cenário otimista, chegando o PIB cearense a avançar 3,5% neste ano.

E QUAIS FATORES DEVEM CONTRIBUIR PARA O CRESCIMENTO ECONÔMICO DO CEARÁ EM 2022?

Segundo o NUPE, o crescimento econômico do Ceará pode ser explicado, em grande parte, por 2 fatores:

  1. Aumento do processo de vacinação, no qual vem permitindo um maior avanço das atividades econômicas presentes no setor de serviços e que sofreram maiores restrições na pandemia, como serviços de alojamento, alimentação, transportes de passageiros e serviços prestados às famílias;
  2. Equilíbrio fiscal das contas públicas do Estado, o que vem permitindo o Governo de Ceará apresentar um alto nível de investimento público em relação à sua receita corrente líquida, o que favorecerá uma grande quantidade de atividades econômicas cearenses ligadas a cadeia de produção da construção civil, aumentando a produção e consequentemente a massa salarial e a arrecadação de tributos.

O relatório completo do Núcleo de Pesquisas Econômicas – NUPE pode ser acessado no endereço: https://www.unifor.br/nupe

Além destes fatores sugeridos pelo Nupe, acredito que o aumento da massa salarial e da melhoria do nível de emprego, sobretudo nas atividades de comércio e serviços no 2º. Semestre, devem catalisar as forças motrizes de crescimento do estado, que têm forte peso na geração do PIB do Ceará.

Grande abraço e até a próxima semana.

Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.



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