EA FC pode voltar a ter Série A e times brasileiros licenciados no game

Desde 2019 que a franquia detém apenas atletas genéricos

Escrito por Alexandre Mota alexandre.mota@svm.com.br
18 de Fevereiro de 2025 - 13:00
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Legenda: Os times brasileiros estão no EA FC por conta dos torneios da Conmebol
Foto: reprodução / EA FC

A Série A do Campeonato Brasileiro pode voltar a ser licenciada no game EA FC, antes denominado de FIFA, desenvolvido pela Electronic Arts. Com a presença de parte dos clubes do país, mas apenas com atletas "genéricos", o debate deve ser retomado com a presença dos novos blocos econômicos que gerenciam a cessão de direitos de transmissão e divulgação dos clubes, como no caso da Liga Forte União (LFU), que detém 11 participantes da 1ª divisão nacional atualmente.

O Diário do Nordeste apurou que o tema está em pauta para análise interna nos próximos meses. O presidente da entidade, Marcelo Paz, atual CEO do Fortaleza, ressaltou que a exploração das marcas no game, um dos líderes mundiais em vendas, é importante também para a valorização do futebol brasileiro e a adesão de novos públicos no exterior, principalmente através dos nomes globais do torneio - o Leão contratou o zagueiro David Luiz, por exemplo.

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Como presidente da LFU, eu entendo que esse é um tema importante. Os games estão diretamente na casa das pessoas, formando torcedores, muitas vezes com crianças e adolescentes que passam a ter um contato mais permanente com clubes de futebol, então é importante que, no Brasil, a gente consiga destravar isso e fazer com que as marcas, os símbolos e principalmente os atletas, que são os grandes artistas do espetáculo, possam estar reproduzidos de forma fidedigna no game, a fim de que o futebol brasileiro possa sempre ficar na vanguarda e no protagonismo. Isso é uma forma de divulgar o nosso produto no mundo inteiro. O futebol brasileiro, atualmente, conta com jogadores de renome mundial, como o David Luiz, Lucas, Oscar, Hulk, Neymar, Depay entre outros, que possuem muito alcance em diversos países, então é muito importante que a gente dê esse passo, a exemplo de outros países, onde se reproduz fielmente a marca dos clubes, os símbolo e os jogadores. Que a gente possa fazer o mesmo no futebol brasileiro".
Marcelo Paz
Presidente da LFU e CEO do Fortaleza

A última vez que a franquia contou com a representação fiel dos jogadores foi em 2019. Desde então, outros torneios foram incorporados através da expansão do game, mas o Brasil ficou fora.

A escalação do Flamengo no EA FC 25, última edição lançada pela franquia
Legenda: A escalação do Flamengo no EA FC 25, última edição lançada pela franquia
Foto: reprodução / EA FC

Em contrapartida, um acordo foi fechado com o eFootball nos últimos anos, game desenvolvido pela Konami, principal rival do EA FC. Para 2026, a situação entre as partes ainda segue indefinida, o que abre margem para novos acordos

Vale ressaltar que atualmente a LFU é formada por 11 times do Brasileirão: Botafogo, Ceará, Corinthians, Cruzeiro, Fluminense, Fortaleza, Internacional, Juventude, Mirassol, Sport e Vasco. Os demais estão na Libra, que é um outro bloco econômico: Atlético-MG, Bahia, Flamengo, Grêmio, Palmeiras, Red Bull Bragantino, Santos, São Paulo e Vitória-BA.

Já a última edição do game, o EA FC 25, apresenta 33 ligas de futebol masculino autênticas e 5 competições femininas. Assim, detém 700 clubes autênticos.

No EA FC, os uniformes são originais, mas os atletas são genéricos desde 2019
Legenda: No EA FC, os uniformes são originais, mas os atletas são genéricos desde 2019
Foto: reprodução / EA FC

Direito de imagem é empecilho

No Brasil, a Lei Pelé, em vigor desde 1998, garante que todo jogador de futebol profissional tenha um contrato de natureza civil que permita a exploração comercial da imagem do respectivo atleta. Em momentos anteriores, a EA FC firmou contratos com os clubes para a incorporação dos elencos, mas parte dos vínculos se transformou em acusações na Justiça devido ao “uso indevido de imagem”.

Um dos atacantes genéricos do Fortaleza no EA FC se chama Eltildo Bessa
Legenda: Um dos atacantes genéricos do Fortaleza no EA FC se chama Eltildo Bessa
Foto: reprodução / EA FC

A maior acusação era de falta de repasse. Logo, os clubes recebiam, mas os atletas não ganhavam.

Deste modo, a Konami fez uma parceria com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para a apropriação das Séries A e B através de uma proposta mais vantajosa financeiramente. Com o movimento de fortalecimento dos clubes em blocos, a fim de maior distribuição de renda entre as equipes, a tendência é de novas negociações.

Modelo diferente fora do Brasil

O Real Madrid conta com uniformes e atletas reais no EA FC 25
Legenda: O Real Madrid conta com uniformes e atletas reais no EA FC 25
Foto: reprodução / EA FC 25

No exterior, o modelo de negociação do EA FC é diferente. Se o Brasil exige um acordo individual com cada atleta em ação, os trâmites fora do país são simplificados: a franquia negocia diretamente com o responsável pela competição. Logo, ganha o pacote de eventos como Premier League (Inglaterra), La Liga (Espanha) e Bundesliga (Alemanha) de uma única vez, com o combo de times e jogadores.

Os vínculos mais específicos são firmados apenas com “atletas especiais”, como é o caso dos embaixadores, a exemplo do atacante Vini Júnior, do Real Madrid, no EA FC 25, que participa da divulgação do jogo eletrônico. Lendas do game, com o meia Ronaldinho Gaúcho também entram nessa categoria.

O processo é similar ao adotado com a Conmebol, que negociou a cessão da Libertadores e a Copa Sul-Americana. Logo, os classificados estão no game - os brasileiros também, mas sem atletas 'reais'.

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