Ceará: as mudanças táticas na reestreia de Enderson

Sob o comando do técnico, o Vovô conseguiu se impor diante do Bragantino/PA pela Copa do Brasil

Escrito por Alexandre Mota alexandre.mota@svm.com.br
12 de Fevereiro de 2020 - 23:38
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A análise é prematura, mas válida: com apenas um treino, o Ceará evoluiu sob o comando de Enderson Moreira e conseguiu vencer o Bragantino/PA com imposição técnica por 2 a 1, pela Copa do Brasil. Calma, nada de euforia, o nível do rival é amplamente inferior, só que vale pontuar a atuação devido a campanha irregular do Vovô em 2020.

É nítido como o treinador pensa futebol diferente de Argel Fucks, demitido no último domingo (9). O novo alvinegro é um time mais organizado, com melhor domínio da posse de bola e que constrói no último terço do campo sem depender apenas do contra-ataque.

Em que pese contra a qualidade do apresentado, o campo do estádio Diogão é um dos motivos para o empobrecimento do futebol nacional. Com tantas variações e buracos, literalmente impediu que a bola rolasse sem quicar tanto - um dos pontos que dificultaram até a possível defesa de Fernando Prass no gol dos donos da casa. 

Listamos cinco pontos que mostram conceitos simples explorados por Enderson no processo de retomada em Porangabuçu. Independente da pressão residente, o nome era uma opção interessante no mercado pelo DNA ofensivo que defende.

Formação conhecida

Foto: Foto: reprodução/Lineup11

O exercício de memória é leve: contra o Bragantino/PA, o Ceará jogou como em 2019. A escolha foi por três atletas flutuando com posições demarcadas atrás do centroavante. O panorama funciona porque, mesmo com os reforços, o elenco está acostumado com o sistema. Sim, era o mesmo de Argel, mas com comportamento diferente. Com Enderson, havia mobilidade entorno do centroavante, assim como liberdade para a saída dos volantes - plano menos estático que os jogos anteriores.

Fernando Sobral versátil 

A principal surpresa alvinegra foi o volante Fernando Sobral. No início do ano, Argel o sinalizou como volante de contenção e assim o colocou no escopo de William Oliveira, Fabinho e Charles. O detalhe é que, logo na reestreia de Enderson, o atleta foi deslocado para uma posição mais avançada. No campo, se posicionou na ponta direita e participou dos dois gols da equipe, incluindo uma assistência para o zagueiro Luiz Otávio.

Centroavante móvel

Luiz Otávio e Bergson dão vitória ao Vovô no Pará.
Legenda: Luiz Otávio e Bergson dão vitória ao Vovô no Pará.
Foto: Foto: Felipe Santos / CearaSC.com

Com característica de camisa 9, Rodrigão foi utilizado em cinco dos seis jogos de Argel. A escolha pela peça intensifica o lance aéreo, mas facilita a marcação adversária. Escolher Rafael Sóbis como titular é um manifesto: desejo de ampliar o domínio do jogo, as triangulações e a saídas da grande área. O recado foi dado quando, menos com gramado ruim, Bergson ganhou espaço e ainda marcou o gol da vitória no 2º tempo.

Mais construção 

Charles teve mais liberdade para ir ao ataque, assim como William Oliveira
Legenda: Charles teve mais liberdade para ir ao ataque, assim como William Oliveira
Foto: Foto: divulgação / Ceará

O Ceará não soube contra-atacar em Bragança, no Pará. A dificuldade é muito pelo posicionamento, com os pontos cortando para o meio-campo e ajudando o camisa 10 centralizado. A menor expansão amplia a compactação e consequentemente melhora as linhas de marcação. O método faz o Vovô trabalhar melhor com a bola no pé, quando tem a missão de intensificar a rotação para se impor. A aplicação é possível pela qualidade técnica do elenco, como executou Vinícius na assistência do 2º gol.

Responsabilidade nas pontas

Na concepção de marcação definida por Enderson, o Vovô tinha linhas altas atrapalhando a saída rival, mas pressionava mesmo no meio-campo. O objetivo era impedir o passe rival, com atletas posicionados para interceptar o passe - o que fazia o plantel adversário até ter a posse. Para o esquema funcionar, os atletas pelos extremos tinham que recuar junto do avanço dos laterais do Bragantino/PA, uma missão bem executada por Fernando Sobral.  

Em tempo: classificação na Copa do Brasil significou mais R$ 1,03 milhão em cotas aos cofres do Ceará, que totaliza agora R$ 1,980 milhão. Na próxima fase, o time enfrenta o Oeste/SP novamente fora de casa. O avanço depende de uma vitória no duelo único. Empate leva aos pênaltis.



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