O senhor da lança repousa ao sopé da Chapada do Araripe

Fóssil do Ubirajara jubatus está em exposição no museu de Santana do Cariri

Matéria por  Paulo Henrique Rodrigues
24 de Julho de 2023 - 15:21
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Nem lembro a última vez que tinha ido ao Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, mas a visita de sexta-feira (21) certamente permanecerá na minha memória. Guardado numa sala preparada somente para ele, sobre uma mesa preta envidraçada, estava o fóssil do Ubirajara jubatus, raridade que finalmente pude ver de perto.

O Ubirajara tem o tamanho de uma galinha. Por meio do olhar de palentólogos e paleoartistas, descobrimos que ele exibia uma crina nas costas e espécies de varetas nos ombros. Por isso o nome que, na tradução de idioma indígena, significa senhor da lança de juba. É um exemplar único e passou décadas do outro lado do oceano.

Os vestígios petrificados do animal jurássico, finalmente, voltaram para Santana do Cariri, onde foi encontrado e de onde sumira por meio do tráfico de fósseis
Legenda: Os vestígios petrificados do animal jurássico, finalmente, voltaram para Santana do Cariri, onde foi encontrado e de onde sumira por meio do tráfico de fósseis
Foto: Paulo Henrique Rodrigues

Os vestígios petrificados do animal jurássico, finalmente, voltaram para Santana do Cariri, onde foi encontrado e de onde sumira por meio do tráfico de fósseis. Na solenidade desse fim de semana, estavam o público, políticos e os pesquisadores, estes os principais responsáveis pela luta que conquistou a repatriação.

O Ubirajara estava num museu do interior da Alemanha. Era quase impossível vê-lo. É muito pior do que a tela Abaporu, de Tarsila do Amaral, num museu de Buenos Aires. O fóssil do Cariri estava em outra dimensão para os nossos bolsos sertanejos. Mas a partir do momento em que foi descrito numa revista científica, começou a campanha pelo retorno para o Brasil.

A luta foi gloriosa e celebrada quatro vezes. Em junho, já em solo brasileiro, passou por solenidades no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, em Brasília; no Palácio da Abolição, em Fortaleza; no campus do Pimenta da Universidade Regional do Cariri, no Crato; e agora no museu de paleontologia em Santana do Cariri.

A exposição, que é temporária, porque depois ele vai ficar em laboratório, chama-se "Ubirajara jubatus pertence ao Brasil". E, estando aqui, podemos também dizer que pertence ao Sertão. Afinal, além de termos conseguido retirá-lo de um museu na Europa, ele foi poupado de ficar entre Rio de Janeiro e São Paulo. Conseguimos provar que, no Cariri, no miolo do Nordeste, podemos, sim, cuidar das nossas riquezas e, a partir daqui, compartilhá-las com o mundo.



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