Instituições elaboram relação de animais silvestres ameaçados de extinção no Ceará

No Brasil temos cerca de 1.173 espécies de animais sob risco de extinção.

Matéria por  Redação
08 de Outubro de 2020 - 13:00
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A Semana de Proteção Animal no Ceará foi lançada no dia dedicado a São Francisco. Data marcada pela fé. Afinal, o santo é reverenciado na igreja católica como protetor dos bichos. E também pela ciência. É no dia 04 de outubro que se celebra o Dia Mundial dos Animais e as ações em proteção e defesa dos seus habitats se espalham por todos os continentes. Ações despertadas pelos projetos de preservação das espécies, principalmente, aquelas ameaças de extinção. Aqui, o ano passado foi dedicado a uma programação voltada para a fauna doméstica. Este ano, as reflexões apontam para a fauna silvestre. E há motivos de sobra para uma grande preocupação.

Entre os mais diversos temas abordados durante a semana, destaque para a elaboração da Lista Vermelha da fauna ameaçada do Ceará que está sob a responsabilidade do Programa Cientista-chefe que inclui diversos estudos sobre a realidade do meio ambiente no estado. As ações começaram com a apresentação do Plano Costeiro. 

Agora é a vez da compilação de dados, alguns deles já existentes, sobre a nossa fauna. Desde a sua distribuição em nosso território até a situação das espécies ameaçadas. E não só na costeira como adianta o professor Marcelo Soares, coordenador do programa: “A gente vai fazer essa análise em todo o estado do Ceará. Não é só na zona costeira. Tem a região de caatinga, nossas serras, nossas chapadas que a Chapada do Araripe e Chapada da Ibiapaba. Então a gente vai analisar todas as espécies para dizer olha! Essa daqui está vulnerável, essa daqui está em extinção!” explica Marcelo Soares.

Segundo o cientista-chefe do Ceará, a ideia é usar a força que já existe. A força das universidades e das ONGs. Grupos e pessoas que trabalham aves, mamíferos, anfíbios, répteis, e peixes há mais de 20 anos. Os especialistas então vão juntar todas essas informações, cruzar os dados e discutir com a sociedade para organizar essa lista.

Espécies ameaçadas

Atualmente, já existe uma lista nacional. No Brasil temos cerca de 1.173 espécies de animais sob risco de extinção. O bioma com mais espécies sob risco é a Mata Atlântica que tem quase a metade das espécies ameaçadas. Por ordem a maioria está em peixes continentais (310), depois aves (233), invertebrados terrestres (233), mamíferos (110), peixes marinhos (98), répteis (80), invertebrados aquáticos (66) e anfíbios (41). 

Os especialistas pela elaboração da Lista Vermelha do Ceará vão pegar essas informações e adaptar ao nosso contexto, porque às vezes um animal pode estar numa situação muito ruim em outro estado e no nosso estar bem, ou o contrário. “Nós temos já algumas pré-listas tanto de peixe quanto de mamíferos, de aves., de répteis e anfíbios. Peixes de água doce e marinho. Nós vamos fazer esse trabalho durante dois anos. Em seis meses entregar algumas, depois mais seis meses entregar outra. A lista de mamíferos já está adiantada”, diz Marcelo Soares.

Rhinella casconi vive nas matas úmidas da Serra de Baturité e é considerado como animal 'vulnerável' na classificação de ameaça
Legenda: Rhinella casconi vive nas matas úmidas da Serra de Baturité e é considerado como animal 'vulnerável' na classificação de ameaça
Foto: Igor Joventino Roberto

Os trabalhos estão em andamento. Essa semana houve uma reunião com o IPECE e há a  possibilidade de usar um sistema, o Ceará Mapas Interativos, que já tem dados sobre a economia,  indústria e infraestrutura. Agora seriam incluídos mais dados sobre o meio ambiente. O Programa Cientista-chefe pretende entrar com as informações sobre a fauna. 

Rede de Proteção Animal

Além do mapeamento das espécies ameaçadas de extinção é preciso adotar providências para salvar, de fato, esses animais. Nesse caso, interação e integração são palavras que se unem nessa luta pela preservação das espécies. Em 2019 foi instituída a Rede de Proteção Animal que conta com a participação de vários órgãos.  “É um trabalho de formiguinha que a gente sabe que não dá para fazer sozinho”, diz Thaís Câmara Tavares, coordenadora de proteção e defesa dos animais da Secretaria do Meio Ambiente. Para ela um dos principais gargalos, na verdade o maior deles, é encontrar locais para onde os animais em situação de risco possam ser levados. “A delegacia faz a apreensão. Mas aí vem a questão: o que fazer com os animais que são resgatados? No momento não tem. A gente conta com a parceria das ONGs, mas elas estão lotadas. Então é nesse ponto, nesse foco que agora a gente tem que atuar como grupo de trabalho”, ressalta Thaís. 

Cadastro estadual

A Secretaria do Meio Ambiente do estado anunciou que está lançando um cadastro para as Organizações Não Governamentais que são ligadas à questão da proteção animal no Ceará. A instituição que quiser se inscrever pode acessar o site da SEMA e a partir dessa inscrição, ela recebe uma declaração a reconhecendo como uma ONG de proteção animal. Assim, essas ONGs podem  participar de vários projetos do estado como, por exemplo, o programa Sua Nota tem Valor da SEFAZ. Para a coordenadora de proteção e defesa dos animais da SEMA, Thaís Câmara Tavares, “esse é um trabalho que ainda está em construção e está sendo construindo a várias mãos”.

 

 



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