Antônio Poteiro: a identidade brasileira na arte de matriz popular
A partir de 12 de agosto o público cearense poderá travar contato com um conjunto de obras importantes do grande mestre da arte brasileira, Antônio Poteiro. Nascido em Portugal, o artista veio cedo para o Brasil e logo se destacou pela surpresa e força expressiva de seus “potes” cerâmicos, esculturas imponentes, verdadeiros cupinzeiros nos quais a espécie humana vive suas dores e suas alegrias.
Estimulado por amigos, como Siron Franco e Cleber Gouvea, começou a pintar e conciliou com maestria talento e sensibilidade na construção de imagens que retratam e recriam as festas populares brasileiras.
Com o falecimento do artista em 2010, seu filho, Américo de Souza Netto, também artista plástico talentoso, criou o Instituto Antônio Poteiro, que desde então preserva e divulga a arte desse grande mestre brasileiro. Graças a essa iniciativa podemos apresentar na mostra “A Luz Inaudita do Cerrado”, na Caixa Cultural Fortaleza até o dia 02 de novembro, obras referenciais do artista, com destaque para as séries “Via Sacra” e “Brasil 500 anos”.
Artista comprometido com a arte de matriz popular, Poteiro rege o tempo e atua diretamente na memória das pessoas revelando arquétipos e criando referências culturais coletivas que estruturam a identidade dos grupamentos humanos.
A obra de Poteiro permite vários níveis de leitura, sensibiliza as pessoas e se afirma como patrimônio seminal da arte e da cultura brasileira, refletindo as várias referências culturais que formam a identidade de nosso país. O lendário ibérico dialoga com Brennand e o movimento armorial pernambucano; se Gauguin atravessou o mundo em busca da essência da arte, Poteiro encontrou no planalto central do Brasil o seu paraíso e a sua referência.
No diálogo com artistas de sua matriz popular, suas paisagens dialogam com José Antônio da Silva, com a fantasia de Chico da Silva e a crônica poética de Heitor dos Prazeres.
Assim é a arte do nosso Poteiro, criador de pontes entre os saberes, criando e recriando a nossa história, acalentando nossa fé da essência de bondade e solidariedade tão necessárias nesses tempos distópicos em que vivemos.
Marcus Lontra é jornalista
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