Vale a pena fazer consórcio? Entenda como funciona a modalidade

A ferramenta pode ser uma forma de realizar compras programadas sem necessidade de pagar os juros de um financiamento

Matéria por  Heloisa Vasconcelos
20 de Setembro de 2021 - 14:00
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Para além das finalidades mais conhecidas como compra de um imóvel ou um automóvel, é possível utilizar o consórcio para organizar uma festa, fazer uma reforma, realizar procedimentos estéticos ou diversos outros objetivos. 

O consórcio é um grupo de pessoas que contribui mensalmente com parcelas para a compra de um determinado bem ou serviço. Mensalmente ocorrem sorteios e qualquer um dos participantes pode ser contemplado para receber o valor total objetivado mesmo antes de pagar todas as parcelas.  

Também é possível dar lances para conseguir ter mais chances nos sorteios e conseguir atingir o objetivo antes. Os azarados que não conseguirem ser sorteados têm até o final do prazo estabelecido no momento do contrato para receber todo o dinheiro investido.  

Para a economista e educadora financeira Juliana Barbosa, o consórcio pode ajudar atingir sonhos e realizar compras programadas, mas é preciso ter em mente um objetivo a longo prazo. 

Vantagens do consórcio 

Visto de forma negativa por algumas pessoas que consideram o consórcio como um “jogo de sorte”, ele pode ser uma boa fermenta para atingir sonhos se utilizado com consciência das vantagens e desvantagens. 

Juliana aponta um dos pontos positivos do consórcio como a possibilidade de realizar pagamentos de longo prazo sem a incidência de juros, como no caso de um financiamento ou empréstimo. O consórcio possui uma taxa de administração, mas quando colocada na ponta do lápis ainda é inferior ao custo da solicitação de crédito junto a uma instituição financeira. 

O consórcio não paga juros. Se colocar na ponta do lápis, você com financiamento tem uma taxa de 7,5%. No consórcio a taxa é de 1% ao ano. Mas precisa contemplar a carta para adquirir o bem. O financiamento se você der o percentual de entrada, você já está com o imóvel na mão. A vantagem basicamente é o valor que no final você paga muito menos
Juliana Barbosa
economista e educadora financeira

Além da taxa de administração também é cobrado um fundo de reserva, para cobrir possíveis inadimplências. Esse valor costuma ser devolvido ao consorciado ao final do prazo.  

A modalidade de crédito também pode ser uma opção para quem quer comprar um bem, mas está com score baixo no mercado, tendo dificuldade de obter dinheiro em vias tradicionais. Também é a saída para quem não tem o dinheiro para dar a entrada em um financiamento. 

O coordenador da pós-graduação de gestão financeira da FGV, Ricardo Teixeira, coloca o consórcio como uma forma de começar a criar o hábito de poupar

“Se tem dificuldade em guardar, o consórcio cria uma obrigação que te ajuda a poupar. Ele é indicado para quem tem dificuldade de poupar, desde que a prestação caiba no seu orçamento”, afirma. 

Compra a longo prazo 

Quem contrata um consórcio, contudo, deve ter em mente que o bem objetivado pode não chegar nem hoje nem amanhã. A modalidade de crédito, portanto, não é uma opção para quem está querendo uma compra imediata

“Se você tem uma urgência, não é o consórcio que vai te atender. É uma compra planejada, se você conseguir administrar o tempo e puder esperar, o consórcio é muito vantajoso”, reitera Juliana. 

Ricardo relaciona o consórcio com a possibilidade de poupar até conseguir dinheiro para comprar um bem ou contratar um serviço. Em ambos os casos, o recebimento não é imediato, mas no consórcio há a possibilidade de ser contemplado antes do fim do pagamento. 

“Ao fazer o consórcio você paga um pouco mais (do que poupando), mas pode ser sorteado desde a primeira reunião. Ao comprar um bem financiado você pode dependendo do bem, usufruir desde o início. Com a poupança, você só usufrui no fim. Mas no consórcio também você pode ser contemplado no fim”, resume. 

Posso perder dinheiro? 

Segundo Juliana, não é possível exatamente perder dinheiro com o consórcio, mas quem tem interesse em contratar essa modalidade de crédito deve ter a ciência do prazo final. 

Isso porque, caso o consumidor decida desistir do consórcio, ele só receberá as parcelas que já foram pagas no final do prazo – que pode ser bastante longo se se tratar de um consórcio imobiliário, por exemplo, que chega a ter prazos de 240 meses. 

Uma forma de conseguir o dinheiro já investido de forma mais rápida é vender o consórcio para outra pessoa que queira entrar com o grupo já em andamento. Para isso, o interessado deverá pagar o montante já investido para entrar no consórcio com as mesmas chances de ser contemplado. 

Ricardo chama atenção que apesar de normalmente o dinheiro ser devolvido a quem desistir do consórcio ao fim do prazo, é importante estar atento às regras do contrato, em busca de possíveis cláusulas que desobriguem o pagamento. 

“Não vale a pena entrar em um consórcio que está no limite da sua capacidade de pagamento, se acontecer algo no meio do caminho você pode perder dinheiro”, recomenda. 



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