Transnordestina ainda precisa de R$ 3,8 bilhões adicionais para ser concluída

Representantes do Estado vão pleitear em Brasília liberação de verba que viria dividida em três etapas, até 2026

Matéria por  Paloma Vargas
24 de Janeiro de 2024 - 06:00
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Um aditivo de contrato no valor de R$ 3,8 bilhões é necessário para que a obra da ferrovia Transnordestina seja totalmente concluída até 2027. O valor deve ser pleiteado com o Governo Federal e com liberação em três etapas, sendo R$ 1 bilhão em 2024, o mesmo valor em 2025 e R$ 1,8 bilhão em 2026.

A afirmação foi feita pelo governador Elmano de Freitas (PT) com o líder do governo federal na Câmara de Deputados, o deputado cearense José Guimarães (PT), e o diretor-presidente da Transnordestina Logística, Tufi Daher, em evento que celebrou a assinatura da ordem de serviço dos lotes 4 e 5, com 101 km no total, entre os municípios de Acopiara, Piquet Carneiro e Quixeramobim.

O valor total da ferrovia no Ceará estimado é de R$ 6,5 bilhões. Para que todo o percurso das cargas seja feito ainda são previstos investimentos na ordem de R$ 2 bilhões no Complexo Industrial e Portuário do Pecém e cerca de R$ 1,7 bilhão que concluiria a obra no território do Piauí.

"São quase 10 bilhões em investimentos para criar infraestrutura para o Estado. E o que isso significa? Cada viagem desse trem que vai chegar no Porto do Pecém, é como se chegassem 240 carretas, ou seja, a carga dessas 240 carretas vem em uma só viagem desse trem, que tem cerca de 3 quilômetros de vagão", diz Elmano.

O governador ressaltou que deve articular com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), a liberação do aditivo nos próximos meses.

Já o deputado José Guimarães, o primeiro a falar sobre o aditivo, disse que a bancada cearense já está se articulando e a estimativa é aprovar essa verba até março.

"A ideia é concretizar logo o lançamento de toda a obra e não ficar no pedaço porque isso atrapalha o ritmo da execução, então eu vou trabalhar para aprovar esse aditivo".

Por sua vez, o representante da Transnordestina reforça que com o aditivo aprovado há uma aceleração da obra e abertura de novas licitações.

"Como nós temos todos os projetos executivos aprovados, todas as licenças ambientais em dia, toda a desapropriação executada, com essa segunda fase do aditivo, a nossa pretensão ainda este ano é contratar toda a obra de infraestrutura até o Porto de Pecém. Então, nesse pico de obra nós teremos entre oito e nove mil empregos diretos".

Governador Elmano de Freitas assinou ordem de serviço para início das obras dos lotes 4 e 5 da Transnordestina
Legenda: Governador Elmano de Freitas assinou ordem de serviço para início das obras dos lotes 4 e 5 da Transnordestina
Foto: Governo do Estado/Divulgação

Vocação para o escoamento de produção rural

Questionado, Elmano também afirmou que já há empresas dos setores de distribuição de grãos e atacadista interessadas em se instalar entrepostos no percurso da Transnordestina.

"A própria Conab (Companhia Nacional de Abastecimento - vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar) tem projetos de estruturação de galpões para fazer a distribuição de grãos para o setor produtivo".

Além disso, Daher, diretor-presidente da Transnordestina Logística, revela que já em 2025 será iniciado o transporte experimental de grãos, "trazendo lá do interior do Piauí até essa bacia leiteira do Ceará em Quixeramobim e Piquet Carneiro".

Ele ainda explica que os trechos que ficam no estado vizinho fazem parte da segunda fase da obra e que esse foi um acordo feito entre a empresa e o Tribunal de Contas da União (TCU).

Assim, a nossa previsão é tão logo a gente finalize, ou até mesmo antes a chegada até o Porto do Pecém, nós daremos início à finalização do trecho do Piauí (que já tem 40% da obra feita)"
Tufi Daher
Diretor-presidente da Transnordestina Logística

Tufi ainda pondera que o sistema ferroviário é mais rápido e mais barato com que o rodoviário. "O sistema rodoviário tem que ser um alimentador do sistema ferroviário, que deve ser um alimentador do portuário. E é para essa vocação que o Ceará está voltando e a qual não deveria ter perdido nunca".

O que foi assinado nesta terça-feira (23)

Na manhã desta terça-feira (23), foi assinada a ordem de serviço dos lotes 4 e 5 que somam, aproximadamente, R$ 1 bilhão em investimento e serão executados pela construtora Marquise. Para esta fase da obra são previstos cerca de 1,3 mil postos de trabalho diretos, e 2,5 mil de forma indireta nas cidades da construção.

Parte do Novo PAC, a ferrovia tem ao todo 1.206 km de extensão em linha principal, atravessando 53 municípios em três estados (Piauí, Ceará e Pernambuco), ligando Eliseu Martins (PI) ao Porto do Pecém (CE), na Região Metropolitana de Fortaleza, passando por Salgueiro (PE). A fase 1 do empreendimento já alcançou 70% de execução.

O governador Elmano defendeu que o empreendimento representa a transformação da economia do Nordeste, principalmente nos sertões. 

“Nós temos um prognóstico de que vamos dobrar o volume de cargas no Porto do Pecém, e vamos ajudar muito várias cadeias produtivas no interior do Ceará”, afirmou.

Ao todo, a ferrovia no Ceará terá 608 km e funcionará com três terminais de carga. Um dos terminais, com foco em grãos, ficará na região entre Iguatu e Quixadá. A localização dos outros dois – um para combustíveis e outro para fertilizantes – ainda será definida pela empresa.



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