Por que a indústria do Ceará teve o pior resultado do Brasil em abril?

Fabricação de máquinas e confecção estão entre os setores com piores desempenhos em 2025

Escrito por Mariana Lemos mariana.lemos@svm.com.br
12 de Junho de 2025 - 11:15
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A produção industrial do Ceará registrou queda de 3,9% no mês de abril, conforme Pesquisa Industrial Mensal (PIM) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgada nesta quarta-feira (11). O resultado cearense foi o pior entre os quinze estados avaliados.

A retração no mês de abril elimina o avanço que a indústria cearense registrou em março, de 2,8%, destaca o IBGE.

Em comparação com abril de 2024, o resultado é ainda pior: uma retração de 5,3% na produção. A variação acumulada dos últimos 12 meses é de crescimento de 3,8%. 

Já no acumulado do ano, de janeiro a abril, a produção industrial cearense tem queda de 1,8%

Os setores com pior resultado acumulado em 2025 são de fabricação de máquinas (-39,4%), derivados do petróleo e biocombustíveis (-21,4%) e confecção de vestuário (-17%).

Já com destaque positivo aparecem o setor de produtos químicos, que aumentou sua produção em mais de 50%, e da metalurgia, com alta de 27%. 

Luis Eduardo Barros, diretor de fomento da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), afirma que o setor da confecção tem registrado quedas contínuas devido ao crescimento da produção informal. 

“A produção da confecção vem caindo há um tempo. Por que a confecção do Ceará está ruim? Não, porque a produção informal não é registrada nas estatísticas”, aponta.

Em relação ao resultado de produtos químicos, Luis Eduardo Barros destaca que o Ceará tem demonstrado forte vocação para o setor. 

“Temos um polo em Guaiuba com incentivo especial que estimulou a atração de empresas do setor químico”, diz. 

DESACELERAÇÃO DO SETOR

Guilherme Muchale, gerente do Observatório da Indústria Ceará e Economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), aponta que o resultado sinaliza uma desaceleração da produção industrial cearense.

Entre os fatores, está o aumento da taxa de juros real, as incertezas do cenário internacional e a elevada base de comparação - em abril de 2024, o Ceará teve crescimento de 12,2%.

“A desaceleração já era esperada, especialmente considerando que, em 2024, a indústria cearense apresentou a maior taxa de crescimento dos últimos 10 anos”, afirma.

Muchale reforça que dois setores importantes, da indústria da construção e distribuição de água e saneamento, têm apresentado crescimento nos empregos gerados. Ambos não são avaliados pela pesquisa.

PRODUÇÃO INDUSTRIAL TEM VARIAÇÕES SAZONAIS

A retração na indústria cearense em abril também está relacionada às variações sazonais dos setores, afirma o economista Alex Araújo. 

“Existe um fator de sazonalidade que afeta, principalmente, a produção para consumo local, como calçados, bebidas e materiais elétricos”, explica.

Alex ressalta a preocupação com setores tradicionais, como o de confecção. Ainda assim, avalia que a indústria local permanece competitiva e deve apresentar resultados melhores nos próximos anos.

“A pesquisa se concentra nas indústrias extrativista e de transformação e não capta o movimento do chamado Serviços Industriais de Utilidade Pública, que pega, por exemplo, a geração de energia elétrica, setor que ganhou destaque com vultosos investimentos nos últimos anos”, diz. 

Luis Eduardo Barros compartilha da expectativa de melhora da produção cearense, com aquecimento da indústria no segundo semestre de 2025. 

“A economia tem uma tendência estável, mas a produção flutua em torno dessa média. Se essa retração se repetir mês que vem, pode significar o início de uma tendência. Esse resultado é um sinal de alerta”, comenta. 

NORDESTE FOI REGIÃO COM MAIOR EXPANSÃO

Apenas seis dos 15 estados avaliados pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM) expandiram a produção de março para abril. O índice nacional teve variação mínima, de 0,1%.

A maior alta na produção foi em Pernambuco, com variação de 31%. O estado puxou o Nordeste, que foi a região com maior expansão, de 7,2%.

O montante produzido pelo setor industrial também cresceu em Goiás (4,6%) e Bahia (0,5%). Já no sentido contrário, acompanham o Ceará nas variações negativas os estados de Espírito Santo (-3,5%), Rio de Janeiro (-1,9%), Mato Grosso (-1,4%) e Amazonas (-1,3%). 

No acumulado de doze meses, há um avanço de 2,4% no setor industrial brasileiro.



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