O que pode mudar na política de preços dos combustíveis com o novo presidente da Petrobras? Entenda

Especialistas apostam em medidas para estabilizar os valores, como subsídios ou mesmo mudanças na própria política de preços da estatal

Matéria por  Carolina Mesquita
29 de Março de 2022 - 16:43
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Após semanas de escalada no preço dos combustíveis e descontentamento da população, o Governo Federal demitiu o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, e indicou o economista Adriano Pires como substituto. 

Dessa forma, qual a expectativa sobre a política de preços dos combustíveis com o novo presidente da Petrobras?

A mudança no comando da estatal é uma tentativa de encontrar solução para a precificação dos derivados de petróleo e de melhorar a popularidade do governo.

O consultor na área de petróleo e gás Bruno Iughetti ressalta que o nome apresentado é um profissional da área, conferindo conhecimento técnico, e classifica a escolha do nome como positiva.

Ele também aposta que a estratégia deve ser realizar mudanças na formação dos preços dos derivados do petróleo, embora não concorde com a posição.

"Acho esse caminho delicado e perigoso, porque a política de preços é praticamente a mesma exercida em todos os países da Europa e Estados Unidos, considerando que o petróleo e seus derivados são commodities que seguem a variação de preços no mercado internacional", afirma.

Como alternativa, Iughetti aponta que a redução da carga tributária incidente sobre o preço dos combustíveis seria uma melhor solução que a mudança da política de preços.

Segundo ele, a volta da unificação dos tributos poderia proporcionar a diminuição da carga necessária para amenizar as flutuações do preço internacional do petróleo e do dólar.

"Não podemos continuar com uma carga de mais de 40% sobre o preço final do produto, porque quem paga isso é o consumidor. Veja o período em que o Brasil ainda adotava imposto único sobre os combustíveis, era uma carga palatável", destaca.

Visão liberalista

O economista e doutor em Relações Internacionais Igor Lucena lembra que a mudança na presidência da Petrobras ocorreu em função de um descontentamento do Governo Federal com o ex-presidente, a partir do pressuposto de que ele teria algum tipo de interferência nos aumentos recentes.

A hipótese, no entanto, é refutada tendo em vista que Silva e Luna apenas seguiu as diretrizes que já estavam estabelecidas, incluindo a paridade internacional de preços.

Lucena pontua que Pires demonstra um posicionamento liberal e já defendeu alternativas à mudança da política de preços como a utilização dos royalties e lucros da União para subsidiar a estabilização de preços.

"O Governo Federal é detentor de cerca de 36% da participação da estatal. Então, usar esses recursos para uma política pública não seria invadir a administração da Petrobras", afirma.

Ele alerta, no entanto, que essa seria uma saída de curto prazo e que a solução definitiva seria abrir o mercado de refino no Brasil, diminuindo a participação da estatal no mercado nacional e encerrando o monopólio indireto que ela detém.

"A Petrobras tem praticamente o monopólio do refino no Brasil, ela possui mais de 80% das refinarias. Embora sejam plantas antigas e de baixa tecnologia, ela dita os preços no mercado, não existe competição", afirma.

Para o economista, a melhor alternativa seria vender as refinarias pertencentes à estatal e, consequentemente, a participação dela no mercado.

"Se ela (Petrobras) tivesse só 20% das refinarias em vez de 80%, ela seria só mais um player no Brasil e não seria mais capaz de ditar preços. Mesmo que ela reajustasse os valores, seria só do produto dela, haveriam outras empresas que poderiam estar vendendo mais barato", argumenta.

Quem é Adriano Pires

Doutor em Economia, Adriano José Pires Rodrigues atuou como assessor do Diretor-Geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, além de ter exercido os cargos de superintendente de Abastecimento, de Importação e Exportação de Petróleo, seus Derivados e Gás Natural.

Ele é diretor-fundador do Centro Brasileiro de InfraEstrutura (CBIE), coordenando projetos e estudos para a indústria de gás natural, a política nacional de combustíveis, o mercado de derivados de petróleo e gás natural.

Pires foi professor adjunto do Programa de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ, exercendo as funções de pesquisador e consultor junto a empresas e entidades internacionais como Unesco, CEE e Bird, Agência Nacional de Energia Elétrica, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e Unicamp. 



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