Fortaleza acumula 2ª maior inflação do País em 12 meses; alta de 5,56%

Puxada pelo grupo de alimentos e bebidas, a inflação na RMF avançou 0,8% em novembro, a maior para o mês desde 2014. Contínuo aumento dos preços preocupa e deve seguir nos próximos meses, avaliam economistas

Matéria por  Redação
08 de Dezembro de 2020 - 23:00
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Após avançar 0,8% em novembro, a maior para o mês desde 2014, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) acumula um crescimento de 5,56% no acumulado de 12 meses, a segunda maior entre as 16 regiões pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano, a inflação na RMF foi de 4,23%, a terceira maior. No Brasil, o IPCA avançou 0,89% em novembro, 3,13% no ano e 4,31% no acumulado de 12 meses.

Assim como ocorreu em outubro, quando a inflação na RMF foi de 0,83%, o maior impacto no IPCA de novembro veio do grupo de alimentação e bebidas, que avançou 2,99%. Em outubro, a alta havia sido de 1,98%. Para o economista Alex Araújo, a forte alta dos preços dos alimentos nesta época do ano é motivo de preocupação, gerando uma expectativa de manutenção dessa tendência para os próximos meses.

“Esse resultado preocupa, porque nesta época do ano, período de safra, não deveria haver uma variação tão grande no preço dos alimentos, o que ocorre historicamente no primeiro semestre. Então, devido à sazonalidade dos alimentos, devemos ter uma pressão de preços nos próximos meses”, diz Araújo. “Por outro lado, o fim do auxílio emergencial, que acaba em dezembro, poderá causar impactos sociais”, diz o economista, sobre a expectativa de manutenção dos preços com a redução da renda familiar.

Alimentação e bebidas

O avanço observado no grupo alimentação e bebidas foi influenciado principalmente por altas mais intensas em alguns itens para consumo no domicílio (3,71%), como a batata-inglesa (27,88%), óleo de soja (11,32%), arroz (10,13%), carnes (4,45%), aves e ovos (4,42%). A alimentação fora de casa também acelerou na passagem de outubro (0,75%) para novembro (0,85%), influenciada especialmente pela alta nos sorvetes (2,78%) e na refeição (1,17%).

“O que temos visto é que os produtos alimentícios vêm apresentando repiques mês a mês, mesmo com a redução do auxílio emergencial. Embora um pouco mais baixo em relação a outubro, o índice ainda é alto para o mês”, diz Ricardo Coimbra, presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE). “O índice inflacionário na alimentação continua forte e só deve ter um arrefecimento com as próximas safras, no ano que vem”.

Coimbra destaca que um dos fatores que poderão contribuir para atenuar a inflação nas próximas semanas é a recente queda do dólar, que incide diretamente sobre alimentos como carne, soja, trigo e milho, e sobre insumos para a indústria. “A apreciação do real pode ajudar a conter a inflação, uma vez que diminui o volume de exportação de alguns itens que estão em um patamar elevado, contendo a demanda”, diz.

Depois do grupo de alimentação e bebidas, a segunda maior contribuição para o IPCA da RMF veio de vestuário, com alta de 1,63%, seguido pelos grupos de comunicação (0,78%), artigos de residência (0,64%), despesas pessoais (0,41%) e habitação (0,26%). Por outro lado, os grupos Saúde e cuidados pessoais (-0,71%) e transportes (-0,15%) caíram em novembro.

Energia

Para o mês de dezembro, a expectativa é que os preços de produtos e serviços sejam pressionados também pelo aumento da tarifa de energia, que desde o dia 1º está com “bandeira vermelha”, por conta do baixo nível dos reservatórios. “Essa correção do preço da eletricidade deverá ter um peso maior na Região Metropolitana de Fortaleza do que no Brasil, devido à diferença do ICMS, que é mais alto no Ceará do que na média do País”, diz Alex Araújo.



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