Conheça a infraestrutura de cabos submarinos que faz de Fortaleza a segunda cidade mais conectada do mundo

Mais de 90% dos dados do Brasil passam pela capital cearense antes de serem distribuídas para outras regiões

Matéria por  Luciano Rodrigues
27 de Setembro de 2023 - 06:00
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Uma dos principais pontos turísticos de Fortaleza se transformou nos últimos anos em um dos principais pontos de conectividade no mundo. A Praia do Futuro e a sua posição estratégica alavancaram a capital cearense à condição de segundo principais hub de cabos submarinos de fibra óptica do planeta, atrás apenas da cidade de Shima, no Japão.

De acordo com informações da Empresa de Tecnologia e Informação do Ceará (Etice), vinculada à Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) do Governo do Estado, em fevereiro de 2023, Fortaleza concentrava 18 cabos submarinos de dados. Ao lado de Fujairah (Arábia Saudita) e da cidade-Estado de Singapura, a capital cearense constitui a maior conectividade global de dados por meio submarino.

Dos cabos informados pela empresa pública cearense, 16 estão catalogados no site Submarine Cable Map, que traz um panorama global dos mais de 400 cabos submarinos que interligam diversos pontos no mapa. 

O que faz, porém, Fortaleza ser a cidade brasileira com a principal conectividade de cabos via fibra óptica? Para entender sobre a localização privilegiada, é preciso conhecer a infraestrutura dos cabos submarinos e entender a importância desse cabeamento para todo o mundo.

Cabos submarinos em Fortaleza listados pelo Submarine Cable Map, em 27 de setembro de 2023
Legenda: Cabos submarinos em Fortaleza listados pelo Submarine Cable Map, em 27 de setembro de 2023
Foto: Submarine Cable Map/Reprodução

Fortaleza: hub de dados

Diferente do que se pensa, a internet como conhecemos hoje depende, mais do que nunca, de pontos de conexão físicos. Do ponto de vista de engenharia de telecomunicações, funciona, grosso modo, como uma espécie de “telefone sem fio”: os dados são levados de um ponto para o outro, e vice-versa, tendo os cabos como canal de transmissão.

Os cabos submarinos de fibra óptica são instalados no assoalho oceânico (isto é, rente ao solo sob as águas do mar) e cruzam diversos oceanos em busca de conectar dois pontos terrestres, chamados de Data Center

Esses locais são denominados de centro de processamento de dados, onde ficam concentrados todos os sistemas de computadores de uma organizações, principalmente no que diz respeito a dados e telecomunicações.

Para facilitar a infraestrutura, esses equipamentos são instalados muito próximos ao litoral, e os cabos partem do subsolo terrestre até entrarem nas águas do mar, geralmente rentes ao assoalho oceânico.

Segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), “90% da internet do Brasil passa por Fortaleza, bem como a internet da Europa e dos Estados Unidos”. A instalação do hub na cidade cearense, dentre outros fatores, atende a critérios geográficos.

Diferentemente da Etice, a Anatel coloca Fortaleza com os 16 cabos submarinos catalogados pelo site, um a menos do que no ano passado. Em 2022, o Grupo America Móvil (Claro) desativou o cabo Atlantis-II, mas mantém outro ponto de conexão na costa cearense.

A capital do Ceará é, dentre as brasileiras, que está mais próxima da Europa, das América do Norte e Central e da região norte da África.

Cabos submarinos listados pelo Submarine Cable Map, em 27 de setembro de 2023
Legenda: Cabos submarinos listados pelo Submarine Cable Map, em 27 de setembro de 2023
Foto: Submarine Cable Map/Reprodução

Apesar de toda a conexão por via submarina entre nações distintas, a principal forma de interligação é ainda mantendo os cabos terrestres, sobretudo dentro do mesmo país. Uma das maiores empresas do ramo de soluções de infraestrutura digital neutra, a Vtal, que tem quatro cabos em Fortaleza. São 430 mil quilômetros de fibra óptica terrestre no Brasil, e 26 mil quilômetros de cabos submarinos que interligam o País a outras nações das Américas.

Data Center da Vtal inaugurado em 2023 amplia a capacidade de processamento de dados em Fortaleza
Legenda: Data Center da Vtal inaugurado em 2023 amplia a capacidade de processamento de dados em Fortaleza
Foto: Tatiana Fortes/Governo do Ceará

Para onde vão os cabos submarinos?

A conectividade de Fortaleza remonta ao ano 2000, e principalmente até 2014, nove cabos estavam instalados na Praia do Futuro. Desde então, outros oito foram instalados, interligando a capital cearense a diversas cidades do planeta.

Além de Rio de Janeiro e Santos, outros grandes pontos de conectividade do Brasil, os cabos que saem de Fortaleza chegam à América Central, América do Norte, Europa e norte da África. Confira:

4 Cabos GlobeNet 

  • Em funcionamento: desde 2000;
  • Comprimento: 23,5 mil km;
  • Dono: V.tal;
  • Fornecedor: ASN;
  • Interliga Fortaleza a: Ilha de St. David's (Bermuda), Rio de Janeiro (Brasil), Barranquilla (Colômbia), Boca Raton e Tuckerton (Estados Unidos) e Maiquetía (Venezuela).

1 Cabo Americas-II

  • Em funcionamento: desde agosto de 2000;
  • Comprimento: 8,3 mil km;
  • Donos: AT&T, Altice Portugal, CANTV, Corporacion Nacional de Telecomunicaciones (CNT), Embratel, Liberty Latin America (LLA), Lumen, Orange, Sparkle, T-Mobile, Tata Communications, Verizon;
  • Fornecedor: SubCom;
  • Interliga Fortaleza a: Willemstad (Curaçao), Caiena (Guiana Francesa), Le Lamentim (Martinica), Port of Spain (Trinidad e Tobago), Hollywood e Miramar (Estados Unidos), Camuri (Venezuela) e St. Croix (Ilhas Virgens Americanas).

2 Cabos South America Crossing (SAC)

  • Em funcionamento: desde setembro de 2000;
  • Comprimento: 20 mil km;
  • Donos: Cirion Technologies, Sparkle;
  • Fornecedor: ASN;
  • Interliga Fortaleza a: Las Toninas (Argentina), Rio de Janeiro e Santos (Brasil), Valparaíso (Chile), Buenaventura (Colômbia), Colón e Fort Amador (Panamá), Lurin (Peru), Puerto Viejo (Venezuela) e St. Croix (Ilhas Virgens Americanas).

2 Cabos South America-1 (SAm-1)

  • Em funcionamento: desde março de 2001;
  • Comprimento: 25 mil km;
  • Donos: Telxius;
  • Fornecedor: SubCom;
  • Interliga Fortaleza a: Las Toninas (Argentina), Rio de Janeiro, Salvador e Santos (Brasil), Arica e Valparaíso (Chile), Barranquilla (Colômbia), Punta Cana (República Dominicana), Punta Carnero (Equador), Puerto Barrios e Puerto San Jose (Guatemala), Lurin e Mancora (Peru), Boca Raton e San Juan (Estados Unidos).

2 Cabos America Movil Submarine Cable System-1 (AMX-1)

  • Em funcionamento: desde 2014;
  • Comprimento: 17,8 mil km;
  • Donos: America Móvil (Claro);
  • Fornecedor: ASN;
  • Interliga Fortaleza a: Rio de Janeiro, Salvador e Santos (Brasil), Barranquilla, Cartagena e Schooner Bight (Colômbia), Puerto Limon (Costa Rica) Puerto Plata e Santo Domingo (República Dominicana), Puerto Barrios (Guatemala), Cancún (México), Hollywood, Jacksonville, Ponce e San Juan (Estados Unidos).

1 Cabo BRUSA (banch unit)

  • Em funcionamento: desde agosto de 2018;
  • Comprimento: 17,8 mil km;
  • Donos: America Móvil (Claro);
  • Fornecedor: ASN;
  • Interliga Fortaleza a: Rio de Janeiro (Brasil), San Juan e Virginia Beach (Estados Unidos).

1 Cabo EllaLink

  • Em funcionamento: desde junho de 2021;
  • Comprimento: 6,2 mil km;
  • Donos: EllaLink;
  • Fornecedor: ASN;
  • Interliga Fortaleza a: Praia (Cabo Verde), Casablanca (Marrocos), Funchal e Sines (Portugal).

1 Cabo Monet (banch unit)

  • Em funcionamento: desde dezembro de 2017;
  • Comprimento: 10,5 mil km;
  • Donos: Algar Telecom, Angola Cables, Antel Uruguay, Google;
  • Fornecedor: SubCom;
  • Interliga Fortaleza a: Santos (Brasil) e Boca Raton (Estados Unidos).

1 Cabo South Atlantic Inter Link (SAIL)

  • Em funcionamento: desde 2020;
  • Comprimento: 5,8 mil km;
  • Donos: Camtel, China Unicom;
  • Fornecedor: SubCom;
  • Interliga Fortaleza a: Kribi (Camarões).

1 Cabo South Atlantic Cable System (SACS)

  • Em funcionamento: desde setembro de 2018;
  • Comprimento: 6,1 mil km;
  • Donos: Angola Cables;
  • Fornecedor: NEC;
  • Interliga Fortaleza a: Sangano (Angola).


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