Cearenses deixam de financiar R$ 500 milhões em imóveis com recursos da poupança

Retração foi maior que a média nacional.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
01 de Novembro de 2025 - 13:00
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O número de unidades imobiliárias financiadas no Ceará de janeiro a setembro caiu cerca de 25% em comparação com o mesmo período de 2024. O dado considera financiamentos com recursos da poupança.

Em nove meses, foram financiados 6.197 unidades, o que representa uma queda de quase 2 mil unidades em relação ao ano passado, que teve 8.228 financiamentos.

O valor financiado até setembro foi de R$ 2,2 bilhões, 18% menor do que os R$ 2,7 bilhões contabilizados no ano anterior. Os dados são do último boletim da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

A retração do Ceará foi ainda maior que a média nacional. O Brasil teve queda de 20% nas unidades contratadas e de 17% no montante financiado com recursos da poupança. 

A retração está associada ao comportamento do crédito no Brasil, com altas taxas de juros, avalia Patriolino Dias de Sousa, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE).

Mesmo com a diminuição dos financiamentos com recursos da poupança, o mercado imobiliário do Ceará segue em ritmo de expansão, com novos lançamentos e boa absorção das unidades, afirma o gestor.

“O financiamento com recursos do FGTS tem tido papel fundamental nesse cenário, garantindo o ritmo das obras e o acesso à moradia nas faixas de renda mais populares. O programa Minha Casa, Minha Vida continua sendo um vetor importante de crescimento e geração de emprego”, afirma Patriolino. 

QUEDA DE 25% NO FINANCIAMENTO COM RECURSOS DA POUPANÇA

  • 2024: 8.228 unidades financiadas, totalizando R$ 2,7 bilhões
  • 2025: 6.197 unidades financiadas, totalizando R$ 2,2 bilhões

MUDANÇA DO PERFIL DE FINANCIAMENTO

A tendência é que a poupança vá perdendo cada vez mais representatividade no financiamento do mercado imobiliário, devido à retirada de recursos nos últimos anos, aponta Pedro Leão Bispo, professor de MBAs da FGV.

Em setembro, as saídas da caderneta de poupança superaram as entradas em R$ 15 bilhões, conforme relatório do Banco Central. Foi o terceiro mês seguido de saldo negativo. 

“A poupança nunca foi o melhor investimento na ótica de rendimento, mas tinha a prerrogativa de ter garantia do governo [com devolução de valores em caso de falência da instituição financeira]. Hoje em dia, outras aplicações passaram a ser garantidas, então há muito tempo ocorre uma migração para essas aplicações”, explica Pedro Leão.

O especialista avalia que, mesmo com a tendência de que a poupança se definhe com o tempo, o mercado imobiliário não deve ser impactado, devido ao crescimento de outras fontes de financiamento. 

O financiamento com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) bateu recorde em 2024, chegando a R$ 314 bilhões. Também há avanço das Letras de Crédito Imobiliário (LCI) no funding de construções. 

“O mercado já está se adaptando com outras modalidades de financiamento há algum tempo. Existe deficit de moradias, programas de baixa renda, também uma oferta muito grande de imóveis novos. O mercado vai se ajeitando”, afirma Pedro Leão. 



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