Com 89 pontos, número de áreas de risco monitoradas em Fortaleza é o mesmo há 10 anos

Principais ocorrências nessas áreas envolvem alagamento, inundação e desabamento, decorrentes da localização irregular de moradias

Matéria por  Nícolas Paulino
11 de Janeiro de 2022 - 11:45
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A lista mais recente das áreas de risco elaborada pela Defesa Civil de Fortaleza, em 2012, contabiliza 89 espaços. Em 2022, o quantitativo permanece o mesmo, segundo o órgão. Ou seja, em uma década, pouco se avançou na mitigação de problemas que afetam cerca de 22 mil famílias na Capital cearense.

“Com o intuito de tornar a cidade resiliente”, a Defesa Civil considera áreas de risco todas aquelas que podem, através de sua vulnerabilidade, ameaçar a segurança dos munícipes, de acordo com a Secretaria Municipal de Segurança Cidadã (Sesec).

A Defesa Civil diz que o monitoramento desses locais “é feito regularmente”, com limpeza constante dos recursos hídricos e das áreas do entorno, “lugares inadequados para a construção de moradias”. 

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corpos d’água receberam intervenções preventivas em 2021, de acordo com a Defesa Civil, sendo 113 canais e 33 lagoas.

No monitoramento, estão incluídos locais sujeitos a alagamentos, inundações e desabamentos, principalmente aqueles nos entornos dos rios Maranguapinho e Cocó, que costumam concentrar a maior parte das ocorrências.

De acordo com a plataforma de georreferenciamento "Fortaleza em Mapas", os principais assentamentos precários na Capital se referem a favelas parcial ou totalmente dentro de áreas de risco, seguidas por loteamentos irregulares e conjuntos habitacionais.

Alagamentos anuais

Mal começou a chover e as ruas da comunidade Portelinha, no Planalto Ayrton Senna, começaram a alagar mais uma vez. O problema é recorrente há pelo menos dez anos, como lembra o líder comunitário Valdeci Cardoso.

“A comunidade recebe praticamente toda a água do Ayrton Senna porque estamos na região mais baixa do bairro. Como não temos saneamento básico nem drenagem, há vários anos temos que levantar o piso das nossas casas”, conta. 

Segundo ele, durante as chuvas que ocorrem em Fortaleza desde o fim de dezembro, a água já começou a invadir casas. Ouça o relato do líder comunitário:

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Em outro ponto vulnerável da Capital, o nível do Rio Maranguapinho já começou a subir com as primeiras chuvas do ano, mas não alagou residências, como observa uma moradora do Quintino Cunha que pediu para ter sua identidade preservada.

“As casas que ficavam mais às margens do rio já foram retiradas ou demolidas por conta do alargamento da via. Nas demais, a água só chegou no quintal”, conta.

A preocupação dos vizinhos se dá porque, em anos anteriores, a água chegou a entrar em algumas casas, mas “causou apenas transtorno, não prejuízo”.

No Barroso, outro bairro com ocorrências constantes, a reportagem verificou, na manhã desta terça-feira (4), uma obra de drenagem e desobstrução de galerias para evitar o acúmulo de água nas ruas. 

Um comerciante confirmou que, em anos anteriores, a água que entrava nas residências “batia no joelho”. Porém, a construção recente de um canal minimizou o problema.

Intervenção no Barroso visa desobstruir galerias de drenagem.
Legenda: Intervenção no Barroso visa desobstruir galerias de drenagem.
Foto: Thiago Gadelha

Novos lares

Em abril do ano passado, o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) recomendou à Prefeitura que a retirada de munícipes de seus imóveis em áreas de risco só ocorresse com a comprovação de “efetiva ameaça à vida ou à integridade física dos cidadãos”. 

Além disso, os órgãos deveriam adotar ações de assistência social aos moradores desabrigados, especialmente quanto ao Programa de Locação Social (PLS), que fornece auxílio financeiro a pessoas em situação de vulnerabilidade social e habitacional. 

Em 2019, por exemplo, mais de 3 mil famílias se cadastraram para receber benefícios após a barragem do Rio Cocó transbordar sobre áreas residenciais do Conjunto São Cristóvão e do Barroso. Dezenove delas precisaram ficar alojadas no Cuca Jangurussu.

A Prefeitura de Fortaleza informou que, nos últimos dois anos (2020 e 2021), “mesmo com as dificuldades impostas pela pandemia”, beneficiou mais de 1.500 famílias com moradias populares, em parceria com o Governo do Estado e a Caixa Econômica Federal.

“Parte dessas famílias beneficiadas são oriundas de áreas consideradas de risco, como os entornos das lagoas do Papicu, Urubu e Gengibre, e vinculadas ao projeto Vila do Mar”, declarou.

Problema histórico

Em 1999, existiam 45 áreas de risco em Fortaleza. Em 2006, o número saltou para 105, conforme dados compilados na dissertação do professor Jader de Oliveira Santos, do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC), a partir de registros das Defesas Civis municipal e estadual.



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