Cidades da Grande Fortaleza solicitam ao Estado doses da Pfizer para acelerar vacinação contra Covid

Por enquanto, o imunizante da BioNTech só está disponível em Fortaleza devido às especificidades de conservação em baixas temperaturas

Matéria por  Redação
17 de Maio de 2021 - 13:52
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Os municípios de Aquiraz, Eusébio, Itaitinga e Horizonte - da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) - solicitaram, à Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), doses da vacina Pfizer/BioNTech contra a Covid-19. Dentre as justificativas dos gestores, estão os atrasos no fornecimento da CoronaVac no Brasil, assim como a necessidade de acelerar os processos de imunização nas cidades.

Por enquanto, o imunizante só está disponível em Fortaleza devido às suas especificidades de conservação em baixas temperaturas. A ideia dos administradores é armazenar as doses da vacina na sede da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Eusébio.

Segundo a carta de intenção - escrita pelos municípios com aprovação da coordenação da Fiocruz Ceará -, a iniciativa seguirá os protocolos necessários para a operacionalização da vacina, possibilitando avançar com o cronograma de imunização nos locais, visto que, atualmente, estão havendo problemas de abastecimento com a CoronaVac no país.

VACINÔMETRO NO CEARÁ | COVID-19

“Verificamos que as condições adequadas existiam e poderíamos pensar na formação de grupos de vacinação que se deslocassem dos municípios à Fiocruz com agendamento prévio, hora marcada e uma equipe de prontidão”, explica o secretário da saúde do Eusébio Josete Malheiros Tavares.

Já o secretário da saúde de Aquiraz, David Faustino de Lima, relata que - além do deslocamento - o município poderia ir buscar as vacinas na Fiocruz para a realização das campanhas, “com uma logística bem pensada e um esquema de vacinação rápido e organizado”.

Entendemos que a vacina é a principal ferramenta na luta contra a Covid-19, e o aumento na porcentagem [de imunização] é crucial para diminuir os casos e desafogar o sistema municipal de saúde”
David Faustino de Lima
Secretário da Saúde de Aquiraz

Os secretários pontuam ainda que o objetivo inicial é priorizar a imunização em gestantes, “principalmente agora que a vacina AstraZeneca foi suspensa temporariamente nesses grupos”, esclarecem.

A secretaria do Eusébio comunica também que, se o número de vacinas for superior ao número de gestantes, serão priorizados os demais grupos da fase atual dos planos nacionais e estaduais de imunização, os quais incluem puérperas, pessoas com deficiência permanente ou com comorbidades.

Além disso, as cidades informaram que não houve pedido em relação às quantidades de doses até então. No entanto, a estimativa é que a quantidade seja proporcional à população do município, em conformidade com o quantitativo de imunizantes recebido pelo Estado.

De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado, a solicitação dos municípios já foi recebida e ainda está em análise.

Vacina da Pfizer/BioNTech

A vacina contra a Covid-19, produzida pela farmacêutica norte-americana Pfizer em parceria com o laboratório alemão BioNTech, possui a maior taxa de eficácia entre os imunizantes, com um índice de 95% após aplicação de duas doses.

O primeiro lote dela chegou ao Ceará no dia 3 de maio. Segundo atualização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os frascos da vacina podem ser armazenados entre -25 ºC e -15 ºC durante duas semanas.

Após o período, eles devem ser mantidos em temperaturas de -90 ºC a -60 ºC. Caso sejam retirados do congelamento, a recomendação é que permaneçam entre 2 ºC e 8 ºC por até cinco dias.

O imunologista e professor do Departamento de Patologia e Medicina Legal da Universidade Federal do Ceará (UFC), Edson Teixeira, destaca que a vacina foi produzida de maneira extremamente rápida - por meio do ácido nucleico RNA mensageiro - e tem tido resultados excelentes nos países em que vem sendo utilizada, como Israel.

O especialista explica ainda que a necessidade de armazenamento da vacina em baixas temperaturas se dá por conta de suas moléculas termolábeis - substância que apresenta sensibilidade a temperaturas elevadas.

Então para não perder a capacidade de se estimular o sistema imune, a vacina tem essa particularidade, que é a necessidade de mantê-la em temperaturas menores"
Edson Teixeira
Imunologista e professor da UFC



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