Ceará tem quase 95% dos leitos adultos de UTI Covid-19 ocupados; duas regiões atingem 100%

Situação é levemente melhor que há duas semanas na região de Fortaleza, mas rede de assistência continua operando quase no limite.

Matéria por  Nícolas Paulino
25 de Abril de 2021 - 17:35
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Prestes a uma nova etapa de flexibilização nas atividades econômicas, o Ceará tem ocupadas 94,69% das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) exclusivas para adultos, específicas para o tratamento da Covid-19, na tarde deste domingo (25).

Os dados são da plataforma IntegraSUS, da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), e foram coletados às 14h40. 

O cenário é levemente melhor que há duas semanas, em 11 de abril, antes da primeira flexibilização após o lockdown, quando 96,66% desses equipamentos estavam ocupados.

Atualmente, das cinco regiões de saúde do Estado, duas atingiram a capacidade máxima de atendimento nas UTIs adultas. Confira no comparativo abaixo:

  • Ceará: 94,69%
  • Fortaleza: 93,01%
  • Cariri: 96,4%
  • Sobral: 97,35%
  • Sertão Central: 100%
  • Litoral Leste/Jaguaribe: 100%

Em comparação há 14 dias, apenas as regiões de Saúde de Fortaleza e Sobral apresentaram decréscimo no percentual: eram de 96,32% e 98,07%, respectivamente.

Por outro lado, Cariri (95,97%) e Sertão Central (96,97%) tiveram aumento no mesmo período. No Litoral Leste, a situação-limite é a mesma, já que, no dia 11 de abril, também tinha todas as UTIs ocupadas.

VACINÔMETRO NO CEARÁ | COVID-19

Em 2020, a taxa de ocupação de leitos foi um dos critérios para avaliar a segurança da retomada econômica após o lockdown. À época, a Sesa estabeleceu que o Estado só avançaria no plano com a ocupação de UTIs abaixo de 85%

Maior flexibilização

Nesse sábado (24), o governador Camilo Santana anunciou a liberação de aulas presenciais até o 9º ano do Ensino Fundamental, além de academias e barracas de praia. A autorização vale a partir de segunda-feira (26).

Para embasar a decisão, o secretário estadual da Saúde, Dr. Cabeto, explicou que o Estado atravessa um momento de redução de casos e óbitos, mas ainda um platô na ocupação de leitos.

Não vemos ainda uma redução nos leitos. Os pacientes estão com um tempo de internação maior. Tem menos casos, mas um platô de número de internados ainda considerado elevado”
Dr. Cabeto
Secretário Estadual da Saúde

O secretário ponderou ainda que há uma estabilização, nas últimas semanas, da solicitação diária de novos leitos de UTI, ou seja, há uma repercussão do menor número de contaminações nas portas de emergência. 

Contudo, alerta: “temos um momento de melhora, mas ainda é preciso muita serenidade. Precisamos ter solidariedade e aderir às medidas de isolamento”.

Fortaleza

Na Capital cearense, a taxa de ocupação de UTIs adultas também caiu, mas ainda está acima de 90%. Em 11 de abril, eram 96,23% dos equipamentos com pacientes; neste domingo, são 93,09%.

Circulação viral

De 1º de janeiro a este domingo (25), o Ceará acumula 300.439 casos confirmados de Covid-19, segundo o IntegraSUS. Ocorreram 6.617 óbitos no mesmo período. Segundo a Sesa, o aumento exponencial ocorreu a partir de fevereiro.

Contudo, nas últimas semanas, já se pode perceber queda na velocidade de transmissão. De 1º a 24 de março, foram confirmados 96.703 casos e 2.218 óbitos pela doença.

Já de 1º a 24 de abril, foram 68.770 casos e 1.995 mortes. Os recuos foram de 28,8% e 10%, respectivamente.

Recomendações permanentes

O infectologista Ivo Castelo Branco, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), avalia que a ocupação de leitos permanece alta pelo surgimento de novas variantes do coronavírus e pela grande quantidade de infectados.

Nós estamos começando a fazer uma diminuição devido ao lockdown atualmente, mas ainda continua muito alto. Quanto mais gente infectada, mais gente vai ter de forma grave”
Ivo Castelo Branco
Infectologista

Para o especialista, a reabertura pode ocorrer desde que sejam tomados os devidos cuidados e dados subsídios para os mais vulneráveis, seja “com transporte para ir ao trabalho ou ficando em casa e tendo uma coisa digna para a pessoa comer”.

“Se nós conseguirmos diminuir a transmissão, adotando as medidas de separação das pessoas, fazendo com que as pessoas diminuam o trânsito de circulação viral, tomem as medidas preventivas higiênicas e sociais da Covid e tenham acesso à vacinação, a gente vai diminuir daqui a uns dois meses”, acredita.



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