7 a cada 10 pacientes que morreram com Covid-19 no Ceará em 2021 tinham doenças pré-existentes

Cardiopatias, diabetes e obesidade são comorbidades mais comuns entre internados

Matéria por  Redação
23 de Abril de 2021 - 15:55
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Dos óbitos por Covid-19 ocorridos em 2021, 68,8% eram de pessoas com doenças crônicas pré-existentes. O dado, incluído no boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa), reflete a necessidade da vacinação de pessoas com comorbidades graves. Pelo menos 627.572 pessoas entre 18 e 59 anos deste grupo estão incluídas na terceira fase de vacinação contra o coronavírus. 

A última versão do documento, lançada em 16 de abril, mostra também que 3.860 pessoas com cardiopatias foram internadas com síndrome respiratória aguda grave (SRAG) causada por Covid-19 no Estado. Diabetes (2.889) e obesidade (1.022) são a segunda e terceira comorbidade, respectivamente, mais comuns entre pessoas internadas com o vírus.

VACINÔMETRO NO CEARÁ | COVID-19

Comorbidades mais comuns entre internados com Covid-19

  • Cardiopatia: 3860
  • Diabetes: 2889
  • Obesidade: 1022
  • Neurológica: 404
  • Renal: 348
  • Pneumopatia: 235
  • Asma: 228
  • Imunodepressão: 201

Em relação a óbitos, as doenças cardiovasculares crônicas também são as mais comuns. De acordo com a plataforma Integrasus, 4.512 pessoas que morreram de Covid-19 no Ceará desde o início da pandemia tinham alguma doença desse tipo. 

Casos mais graves de comorbidades são prioridades

Na lista de 23 comorbidades que serão critério para prioridade na vacinação, 13 delas estão relacionadas a problemas cardiovasculares. Segundo a endocrinologista Ana Flávia Torquato, a lista contempla as doenças mais severas, que devem ter prioridade entre as comorbidades. 

“Se você for pensar em termos de hipertensão arterial sistêmica, cerca de 35% dos brasileiros possuem. Então colocaram como critério aquela hipertensão de mais difícil controle, mais severa”, diz a especialista.

Da mesma forma, o critério para a pessoa com obesidade ser prioridade na vacina é ter o Índice de Massa Corpórea (IMC) acima de 40. Para Ana Flávia, o critério foi justo, pois inclui as pessoas com maior risco. “Quanto mais grave a obesidade, quanto maior o índice, maior o risco de casos mais graves da Covid-19. Existe realmente essa correlação”, afirma.

Covid-19 causa lesão em órgãos já debilitados

Além de pessoas com comorbidades terem a resposta imunológica comprometida, a endocrinologista lembra ainda que a Covid-19 pode afetar órgãos que já estão debilitados neste grupo. Lesões renais, hepáticas e cardíacas, além da pulmonar, são observadas entre os pacientes mais graves.

“A Covid-19 é uma doença que causa inflamação sistêmica, aumenta bastante o risco de doença trombótica e pode causar lesões em múltiplos órgãos. Se você pega um corpo que já é debilitado, que tem comorbidades, vai ser mais difícil esse organismo se defender apropriadamente e resistir a um insulto de mais lesão”, diz.



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