Repórter que cantou música da Xuxa para satirizar mortes é demitido da Band

Três homens morreram em confronto com a Polícia. Júnior Rocha cantou 'Cinco Patinhos na Lagoa' gesticulando como se atirasse com uma arma. Ele foi demitido

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
21 de Julho de 2022 - 15:19
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Júnior Rocha, repórter do programa "Brasil Urgente", na Band TV, cantou uma paródia da música infantil 'Cinco Patinhos na Lagoa', da Xuxa Meneghel, para satirizar a morte de três homens suspeitos de roubo em confronto com a polícia. O caso aconteceu nesta quinta-feira (20) em Foz do Iguaçu, no Paraná. O jornalista ainda deu risada durante a reportagem.

Nesta quinta (21), o repórter foi demitido da TV Tarobá, afiliada à Band no Paraná, conforme informações do site Metrópoles. A demissão aconteceu após pressão da chefia de jornalismo da emissora.

No início da matéria, Rocha disse que a notícia que iria dar era "tão boa" e "maravilhosa" que merecia uma música. Ele cantou gesticulando como se atirasse com uma arma: "Três bandidos foram assaltar uma residência aqui na fronteira. O Choque e a Rocam chegaram e pá, pá, pá, e os bandidos estão no inferno a queimar".

Depois disso, o repórter falou que a polícia "não dá brecha" para criminosos e afirmou, com o efeito sonoro de aplausos, que o desfecho dessa história era para "glorificar de pé".

"Parabéns, Choque! Parabéns, Rocam! Os cavaleiros de aço da Polícia Militar do Estado do Paraná. O bem venceu o mal. E, é claro, o cidadão de bem, com a integridade física zelada", comemorou o repórter.

Comparou com a Covid-19

Rocha ainda comparou a morte dos três homens com as vítimas da pandemia de Covid-19, que, nesta quinta-feira (21), ultrapassam 670 mil no Brasil.

"Os criminosos tentaram a sorte e, é claro, levaram o azar. Vamos supor que eles morreram de Covid, a variante 5569 milímetros. Agora, o satanás está recebendo esses criminosos", comentou, com risos.

Repercussão

A postura do profissional desagradou muitos que compartilharam a reportagem nas redes sociais criticando a emissora e o repórter.

"Meus Deus, que bizarrice", comentou um no Twitter. "Isso é um jornalista? Isso é jornalismo? Isso é o Paraná. Isso é o Brasil em 2022", analisou outro na mesma rede social. "Matança generalizada a gente já sabe que existe, mas repórter tripudiando é novidade", refletiu mais uma.

No entanto, houve, também, quem defendesse o comportamento de Rocha. "Desculpe a todos que comentaram, era para ele estar chorando porque a Polícia apagou 3 CPFs?". No ano passado, quando o assassino em série Lázaro Barbosa foi morto em confronto com a Polícia, o presidente Jair Bolsonaro se referiu ao caso como "CPF cancelado".

Família, Deus, Pátria, Armamento e Democracia

Na biografia de seu perfil no Instagram, Júnior Rocha usa as palavras "Família", "Deus", "Pátria", "Armamento" e "Democracia" para se descrever. 

Suas postagens de destaque são a matéria que viralizou, uma foto segurando uma arma de caça e uma sequência de imagens de um treinamento de policiais rodoviários federais.

O jornalista também compartilhou a matéria nos 'Stories' e repostou um amigo que escreveu: "Sensacional meu mano! Jornalismo de Direita sobrevive! Foz do Iguaçu não é para amadores!".

Providências

A TV Tarobá, afiliada ao Grupo Bandeirantes no Paraná, informou, em nota enviada à Folha de S. Paulo nesta quinta-feira (20), que vai "tomar providências necessárias ao caso". 

"A TV Tarobá manifesta que não concorda com qualquer tipo de apologia à violência e informa que irá tomar as providências necessárias ao caso", afirmou a emissora.



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