Miss Mundo 2025: candidata da Somália emociona ao relatar caso de mutilação genital

Zainab Jama compartilhou história pessoal durante o concurso e destacou ações de sua fundação para erradicar o problema

Matéria por  Redação
29 de Maio de 2025 - 07:57
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Aos 23 anos, a modelo Zainab Jama, representante da Somália no concurso Miss Mundo 2025, falou sobre uma questão sensível durante sua participação na etapa Head to Head, na qual as candidatas apresentam projetos sociais vinculados ao programa Beauty with a Purpose (Beleza com Propósito). Ela compartilhou a experiência pessoal com a mutilação genital feminina (MGF), prática ainda recorrente em algumas comunidades ao redor do mundo.

Zainab relatou que foi submetida à MGF quando tinha sete anos, em um procedimento realizado por três mulheres sem formação médica, utilizando uma lâmina em condições precárias, sem anestesia ou cuidados sanitários. Segundo ela, foi um momento marcado por dor intensa e ausência de acolhimento.

Durante o depoimento, ela lembrou que gritava, pediu que parassem, mas foi instruída a "ficar quieta", a "ser forte e orgulhosa". Para Zainab, esse episódio representou o fim de sua infância.

Após a intervenção, passou dias isolada, com as pernas amarradas, lidando com a dor física e emocional.

Ao compartilhar o relato, a candidata destacou que sua história representa muitas meninas que, como ela, enfrentaram a mesma violência.

Atualmente, Zainab atua no enfrentamento à MGF por meio da Fundação Iniciativa Feminina, organização que ela criou para promover a conscientização e a prevenção da prática. A fundação desenvolve ações educativas, articulações comunitárias e defende ritos de passagem alternativos, atuando em parceria com instituições locais e internacionais. A proposta é oferecer suporte às comunidades e garantir que futuras gerações de meninas não passem pelo mesmo tipo de violência.

O QUE É A MUTILAÇÃO GENITAL FEMININA?

A mutilação genital feminina (MGF) é a remoção total ou parcial dos órgãos genitais externos da mulher por motivos sem justificativa médica. A prática é considerada uma violação dos direitos humanos, especialmente dos direitos de meninas e mulheres, sendo condenada por organismos internacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas (ONU).

Existem diferentes formas de MGF, que variam em gravidade. As mais comuns incluem a clitoridectomia, ou seja, a retirada parcial ou total do clitóris; a excisão, que envolve a remoção do clitóris e dos pequenos lábios, com ou sem os grandes lábios; e a infibulação, que consiste no estreitamento da abertura vaginal por meio do corte e costura dos lábios vaginais. Há também outros procedimentos, como perfuração, incisão ou cauterização da área genital.

Apesar de não trazer benefícios à saúde, a MGF ainda é praticada em algumas culturas por razões sociais, culturais e, em certos casos, religiosas — embora não exista base religiosa em textos sagrados que justifique a prática.

Em muitas comunidades, acredita-se que a mutilação garante a pureza da mulher, torna-a mais adequada ao casamento e ajuda a controlar sua sexualidade.

Os riscos associados à MGF são diversos e graves. Entre eles estão a dor intensa, sangramentos, infecções, dificuldade para urinar e menstruar, complicações no parto, além de traumas psicológicos duradouros. A prática também pode aumentar o risco de morte de recém-nascidos durante o parto.



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