MC Poze do Rodo admite ligação com Comando Vermelho e é preso junto com outros integrantes

O cantor preencheu o nome da facção em um documento do sistema penitenciário do RJ que busca distribuir os presos

Matéria por  Redação
30 de Maio de 2025 - 15:58
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MC Poze do Rodo, investigado por apologia ao crime e envolvimento com o tráfico de drogas, afirmou ter proximidade com o grupo criminoso Comando Vermelho (CV). A "confirmação" foi uma marcação feita pelo artista em uma ficha com informações básicas sobre sua prisão.

Um dos campos do documento — exigido para toda pessoa que entra no sistema penitenciário do Rio de Janeiro — pede que o preso marque a sua "ideologia declarada", ou seja, a facção à qual ele diz pertencer. Isso é feito para distribuir melhor os presos e evitar que, em uma mesma unidade, fiquem pessoas vinculadas a facções rivais.

Com a declaração, Marlon Brandon Coelho Couto Silva, nome verdadeiro de Poze do Rodo, foi transferido para a penitenciária Serrano Neves, conhecida como Bangu 3, que abriga integrantes do CV. Informações são do g1.

Em entrevista ao programa "Profissão Repórter", da TV Globo, o artista comentou que já se envolveu com a organização criminosa, mas que deixou o crime há muito tempo.

"Já troquei tiro, fui baleado e preso, também. E pensei: 'Vou querer ficar nessa vida aqui ou viver uma vida tranquila? Então, foquei em viver uma vida tranquila. Batalhei e, hoje, em dia, passo isso para a molecada: o crime não leva a lugar nenhum", relatou.

Defesa nega relação com facção

Em nota enviada ao G1, a defesa de Poze do Rodo afirmou que a prática do sistema penitenciário fluminense de dividir "presos provisórios e sentenciados por critérios relacionados a comunidades de origem ou supostas relações com determinações territoriais" é, via de regra, para garantir a segurança e a ordem das celas.

"Alguém que teme ser confundido ou tido como participante de determinada denominação, via de regra, é orientado a dirigir-se à mesma para evitar tumulto, sendo medida de segurança para si e para outros. Esta prática, todavia, em nenhuma hipótese, traz ou poderia trazer qualquer grau de certeza sobre afiliações, associações ou qualquer vínculo do gênero", segue o comunicado.

Os advogados, no entanto, criticaram a Polícia Civil por "diversos atos de abuso de autoridade", como uso indevido e desnecessário de algemas para prender o artista e busca e apreensão "fora dos limites legais com subtração de bens não especificados".

Prisão de Poze do Rodo

Poze do Rodo foi preso nessa quinta-feira (29) por agentes da Delegacia de Repressão e Entorpecentes (DRE) da Polícia Civil do RJ. Ele estava em casa, em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio.

À imprensa, o MC afirmou que sua captura seria uma "perseguição". "Isso é perseguição. [...] É indício, mas não tem prova com nada. Manda provar", provocou ele, acrescentando que os investigadores deveriam buscar os criminosos que estão nas comunidades, não ele.

Poze foi levado para a delegacia sem camisa, algemado e descalço, sob a alegação de que faz shows exclusivamente em áreas dominadas pelo Comando Vermelho, com a presença ostensiva de traficantes armados com fuzis. A Polícia também alega que as letras das músicas do cantor fazem "clara apologia ao tráfico de drogas e ao uso ilegal de armas de fogo" e "incita confrontos armados entre facções rivais".



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