Leo Lins, humorista condenado a prisão, diz que juíza possui 'limitação cognitiva'; entenda

Justiça considerou que a cena do humor não pode ser “passe-livre” para a prática de crimes

Matéria por  Redação
05 de Junho de 2025 - 22:00
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O influenciador e humorista Leo Lins deu o primeiro pronunciamento sobre a sua condenação a oito anos de prisão, divulgada na última terça-feira (3). O comentário foi dado durante uma live no YouTube, com mais de 25 mil espectadores, criticando a decisão da juíza responsável pela sentença, que considerou as piadas dele como criminosas. No vídeo, ele chegou a dizer que juíza possuia "limitação cognitiva".

A juíza Barbara de Lima Iseppi, da 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo, foi responsável pela sentença. Ela considerou um show que o humorista fez declarações ofensivas contra negros, nordestinos, indígenas, idosos, obesos e homossexuais. Conforme o g1, o stand-up ocorreu em 2022, mas foi publicado no YouTube e conta com mais de 3 milhões de visualizações.

“O exercício da liberdade de expressão não é absoluto nem ilimitado, devendo se dar em um campo de tolerância e expondo-se às restrições que emergem da própria lei”, diz um trecho da decisão. 

No entanto, na live, o comediante disse que quem falava não era o personagem Leo Lins, mas sim Leonardo de Lima Borges Lins, seu nome de batismo. “Humorista interpreta no palco uma persona cômica. Uma análise literal do texto não se aplica ao cômico (...) Isso é de uma limitação cognitiva grave e preocupante”, disse Leo.

A juíza argumentou, por sua vez que, “mesmo sendo um personagem, há crime”.

“Eu te mostro a cabeça de um jacaré, o corpo de um jacaré e o rabo de um jacaré. Te pergunto que animal é esse e você responde é um camelo. Aí não adianta mais argumentar. Não importa o que eu fale o que eu mostre, você já tomou a sua decisão”.
Leo Lins
Humorista

Para Leo, não é possível usar essa lógica de que é um crime sendo um personagem. "Agora dá para prender atriz que faz a vilã da novela, o ator que faz o vilão no filme, na série”, disse.

De modo geral, a Justiça considerou que as apresentações de Leo podem incentivar a propagação de violência verbal e fomentar a intolerância. Na decisão, a cena do humor não pode ser “passe-livre” para a prática de crimes, nem a liberdade de expressão pode ser usada como justificativa para disseminar discurso de ódio



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