Quase 500 mil cearenses moram sozinhos; número mais do que dobra entre últimos Censos do IBGE

Instituto avalia que fenômeno pode ter relação com o envelhecimento da população

Matéria por  Nícolas Paulino
25 de Outubro de 2024 - 14:21
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O número de cearenses que vivem sozinhos mais do que dobrou entre os últimos dois Censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), conforme nova rodada divulgada nesta sexta-feira (25). Ao todo, havia 497.219 unidades domésticas unipessoais em 2022, contra 228.600, em 2010. 

Segundo o estudo “Composição domiciliar e óbitos informados: Resultados do universo”, a espécie unipessoal é aquela que possui apenas 1 pessoa moradora.

Percentualmente, essas quase 500 mil unidades representam 16,5% do total de domicílios do Estado. No Censo anterior, eles representavam apenas 9,6%.

No Ceará, esse é o terceiro tipo de domicílio mais comum, atrás dos nucleares e estendidos (saiba mais abaixo). Já no contexto nacional, é o segundo mais frequente, com média de 18,9%. Veja os principais Estados:

  • Rio de Janeiro: 23,4%
  • Rio Grande do Sul: 22,3%
  • Espírito Santo: 20,6%
  • Bahia: 20,2%
  • Minas Gerais: 20%
  • Goiás: 19,7%

Nessa categoria, o Ceará fica na 18ª posição entre as unidades federativas.

Conforme o IBGE, a análise do ciclo de vida é importante para entender as nuances dos resultados. Idosos que moram sozinhos, por exemplo, reforçam contextos do processo de saída dos filhos de casa, o divórcio ou a viuvez. 

“Esse resultado mostra uma relação importante entre unidades domiciliares unipessoais e o processo de envelhecimento populacional já em curso no país”, avalia o Instituto.

Outros tipos de domicílios

A nova divulgação também contempla as espécies de unidades domésticas classificadas como nucleares, estendidas e compostas.

Nucleares

As unidades nucleares são aquelas que possuem somente um casal, ou somente um casal com filho(s), ou somente uma pessoa com filho(s), sem a presença de outro membro. Os filhos podem ser considerados por consanguinidade, adoção, criação ou enteados.

Essa categoria é a mais frequente no país e no Ceará. Nesse Estado, o número cresceu de 1.557.469 para 1.938.363, entre os últimos Censos. No entanto, a proporção caiu de 65,7% para 64,1%.

Estendidas

Já as espécies estendidas são aquelas onde existe a presença do responsável e de pelo menos algum outro parente, formando um arranjo que não se enquadra em um dos tipos descritos como nuclear. No caso cearense, também houve queda de 506.141 (21,3%) para 532.486 (17,6%).

Compostas

Por fim, nos domicílios compostos, existe a presença de alguma pessoa sem parentesco, como agregado(a), pensionista, convivente, empregado(a) doméstico(a) ou parente do empregado(a) doméstico(a). Mais raro, esse tipo passou de 77.601 domicílios cearenses em 2010 (3,27%) para 54.149, em 2022 (1,8%).

Casas menos populosas

Outro dado que teve queda importante foi o de domicílios no Ceará com 6 ou mais moradores. Em 2010, foram encontrados 283.926 lares desse tipo, representando 12% do total. Já em 2022, foram 136.722 - apenas 4,5%.

Conforme o IBGE, de forma geral, essa configuração de moradia é mais comum quando os responsáveis são pessoas de cor ou raça negra (pretos e pardos) ou indígenas.



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