Maioria das uniões entre casais no CE é consensual e dispensa cerimônias, diz IBGE

Opção apenas por casamentos religiosos fica em terceiro plano no Estado.

Matéria por  Nícolas Paulino
06 de Novembro de 2025 - 10:00
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A ampla maioria de pessoas com algum tipo de união conjugal no Ceará está em relacionamentos sem registro "formal", classificados como "uniões consensuais". Ao todo, são 1.532.207 cearenses nessa condição, ou cerca de 40% das pessoas de 10 anos ou mais que vivem em união no Estado.

O número é superior ao de casamentos civis (778.680) e muito maior que o de uniões exclusivamente religiosas (253.440), que ficam em terceiro plano. Os dados do Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram divulgados nesta quarta-feira (5). 

O levantamento mostra que a “informalidade” permanece como a principal forma de constituição familiar no Estado. Ainda assim, a segunda forma mais comum de união é a soma do casamento civil com o religioso, opção de 1.240.481 pessoas (32,6% do total).

A predominância da união consensual no Ceará acompanha o padrão nacional (38,9% são desse tipo, o mais comum), mas o Estado se destaca no Nordeste, atrás apenas da Bahia (2.740.716) e Pernambuco (1.637.790).

Cerca de um terço dos casais no Ceará formalizou a união tanto em cartório quanto em cerimônia religiosa.
Legenda: Cerca de um terço dos casais no Ceará formalizou a união tanto em cartório quanto em cerimônia religiosa.
Foto: José Leomar.

Para o IBGE, o crescimento dessa modalidade indica “uma mudança de valores culturais, além de se considerar os custos da formalização de um casamento”, revelando-se predominância entre a população mais jovem.

Renda também importa: “observou-se que a união consensual estava relacionada a condições socioeconômicas mais precárias, na medida em que as pessoas nas faixas de menor rendimento domiciliar per capita tiveram maior representação nesse tipo de união”.

Veja os Estados que lideram no número de pessoas em cada tipo de união:

Uniões consensuais

  1. São Paulo – 6.346.698
  2. Bahia – 2.740.716
  3. Minas Gerais – 2.664.651
  4. Rio de Janeiro – 2.645.594
  5. Rio Grande do Sul – 2.388.034
  6. Pará – 1.905.657
  7. Paraná – 1.848.950
  8. Pernambuco – 1.637.790
  9. Santa Catarina – 1.589.988
  10. Ceará – 1.532.207

Apenas casamento civil

  1. São Paulo – 4.641.877
  2. Minas Gerais – 1.604.384
  3. Rio de Janeiro – 1.429.713
  4. Bahia – 1.274.535
  5. Paraná – 1.032.611
  6. Pernambuco – 958.292
  7. Rio Grande do Sul – 825.623
  8. Ceará – 778.680
  9. Goiás – 718.854
  10. Maranhão – 667.584

Mesmo com menores números no país, o Ceará também ocupa posição de destaque entre aqueles que optaram por se casar apenas em cerimônia religiosa. Segundo o IBGE, isso se aplica para a pessoa que vivia em companhia de cônjuge com quem era casada somente no religioso, em qualquer religião ou culto:

  1. Bahia – 262.044
  2. Ceará – 253.440
  3. São Paulo – 197.246
  4. Piauí – 192.186
  5. Pará – 189.296
  6. Maranhão – 154.973
  7. Minas Gerais – 136.503
  8. Paraná – 135.599
  9. Santa Catarina – 101.147
  10. Rio Grande do Sul – 100.944

Aumento nos relacionamentos

Com base nos dados do IBGE, o Ceará registrou mudanças no perfil conjugal da população de 10 anos ou mais, entre 2010 e 2022. No Censo anterior, 3.420.059 pessoas (cerca de 48,1%) viviam em união no Ceará com parceiro(a) no mesmo domicílio. Doze anos depois, esse grupo passou para 3.804.943 -  50,1% da faixa etária em análise. 

Esse crescimento indica maior formalização ou permanência de vínculos conjugais entre a população, embora parte dessas uniões continue ocorrendo sem casamento civil ou religioso.

Já o número de pessoas que não viviam em união, mas já tinham vivido, aumentou de 13,9% para 18,5% da população, o que pode refletir maior número de separações, dissoluções de união consensual e divórcios.

Por outro lado, diminuiu o contingente de pessoas que nunca viveram em união: eram 38%, em 2010, caindo 31,4%, em 2022. Essa tendência pode estar relacionada ao envelhecimento da população. 

“Provavelmente muitos ainda podem se unir durante a vida, mas outros permanecerão nesse estado em uma idade mais avançada, quando as chances de contrair uma união conjugal diminuem”, considera o Instituto.

De forma geral, os dados revelam tendências estruturais no Ceará: mais pessoas passaram a viver em união ao longo da vida; contudo, mais cearenses também passaram pela dissolução de relacionamentos. 



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