Inverno no Ceará deve ter mudanças de temperatura e poucas chuvas; veja como funciona a estação

Ao contrário da crença comum, o período chuvoso cearense acontece durante o verão e o outono

Matéria por  Theyse Viana
24 de Junho de 2025 - 15:41
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Junho é o primeiro mês após a quadra chuvosa do Ceará, e é quando o real inverno começa. Apesar de o senso comum atribuir as chuvas do Estado a essa estação, ela é marcada, na verdade, por redução das precipitações, além de grandes variações nas temperaturas em algumas regiões.

O inverno no hemisfério sul se estende de 20 de junho a 20 de setembro. No Ceará, durante os meses, há uma gradual diminuição das chuvas, como observa Vinicius Oliveira, meteorologista e pesquisador da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).

Apesar disso, podem ocorrer chuvas pontuais, como as do último fim de semana no Estado, por exemplo, incluindo Fortaleza. Elas foram resultado de um sistema meteorológico definido como Distúrbios Ondulatórios de Leste (DOLs).

“São consideradas chuvas de pós-estação, e é outro sistema que causa essas chuvas, as Ondas de Leste, que não são tão frequentes quando comparamos com a estação chuvosa propriamente dita”, explica Vinicius.

No Ceará, os meses de julho a novembro registram, historicamente, os menores acumulados médios do ano. Em setembro, para se ter ideia, a média histórica é de 2,2 milímetros para o mês inteiro.

Temperaturas no Ceará no inverno

A associação imediata entre inverno e frio pode, sim, ser aplicada no Ceará – mas o exato oposto também acontece. Neste período, o Estado tem uma grande amplitude térmica, ou seja, a diferença entre a temperatura do dia e a da noite cresce.

O meteorologista da Funceme explica que um dos motivos para isso é a pouca quantidade de nuvens no céu, causa e consequência da redução nas chuvas durante o inverno cearense.

“Com menos nuvens, temos uma maior perda de radiação (solar) à noite, daí as temperaturas diminuem. Mas na mesma medida, durante a tarde, com menos nuvens, temos também extremos de temperaturas. Isso começa a ser sentido a partir do inverno”, destaca Vinicius.

Cidades mais distantes do litoral tendem a registrar temperaturas mais altas durante o dia
Legenda: Cidades mais distantes do litoral tendem a registrar temperaturas mais altas durante o dia
Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

As regiões do Ceará mais suscetíveis a grandes variações nos termômetros no inverno e em todo o segundo semestre no Estado são as mais afastadas do litoral, uma vez que o mar exerce a função de “regulador” da temperatura.

“As menores temperaturas do Ceará são justamente nas regiões de serra, mais elevadas, como Maciço de Baturité, Ibiapaba, Cariri, locais mais altos. Já no Vale do Jaguaribe, temos temperaturas bem elevadas, que chegam no segundo semestre a 36, 37°C, à noite descendo para 20°C”, pontua o pesquisador.

No ano passado, o município de Aiuaba, no sertão cearense, marcou a menor temperatura da história do Estado, em 23 de julho: 11,4°C. No mesmo período, a cidade teve registros próximos a 37°C.

Junho dentro da média

Até essa segunda-feira (23), o Ceará registrava chuvas dentro da média para o mês de junho: dos 37,2 milímetros esperados historicamente, choveu 26,9 mm – valor 27,8% menor, mas classificado na margem “dentro da média” pela Funceme.

Em alguns municípios do Cariri e do Sertão Central, chuvas pontuais, mas significativas, subiram a média mensal. Em Porteiras, já choveu 76,8 mm, quatro vezes mais que a média de 18 mm de junho. 

As precipitações foram causadas por uma frente fria que chegou ao Nordeste, segundo Vinicius Oliveira. A Funceme reforça que os números estão sujeitos a alterações, já que ainda falta uma semana para o mês acabar.



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