Entenda lei sancionada por Lula para proibir uso de celulares nas escolas públicas e particulares

O Projeto de Lei n° 4.932/2024 foi aprovado pelo Senado em dezembro de 2024. Diferentes propostas legislativas trataram sobre essa questão ao longo de quase 20 anos

Matéria por  Gabriela Custódio
13 de Janeiro de 2025 - 16:50
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou, nesta segunda-feira (13), o Projeto de Lei n° 4.932/2024, que proíbe o uso de celulares e outros aparelhos eletrônicos portáteis em escolas, na educação básica. A partir de agora, os estudantes da Educação Infantil, do Ensino Fundamental e do Ensino Médio não poderão utilizar esses equipamentos durante a aula, no recreio ou nos intervalos.

Segundo o texto, o uso de aparelhos eletrônicos nas salas de aula é permitido apenas para fins didáticos, conforme orientação dos professores. A lei considera sala de aula todo espaço em que são desenvolvidas atividades pedagógicas, sob orientação de profissionais de educação.

A lei permite o porte dos celulares, mas não o uso dos aparelhos para fins pessoais. A permissão existe apenas para “situações de perigo, estado de necessidade ou caso de força maior”.

Outras exceções para a lei, independentemente da etapa de ensino e do local, são os seguintes casos:

  • Garantir inclusão e acessibilidade de alunos;
  • Atender a condições de saúde dos estudantes e garantia de direitos fundamentais.

Responsabilidades das instituições

O projeto de lei também aborda responsabilidades das redes de ensino e das escolas em relação à saúde mental dos alunos da educação básica. No artigo 4º, o texto aponta que devem ser elaboradas estratégias, informando aos estudantes sobre riscos, sinais de alerta e prevenção do sofrimento psíquico em crianças e adolescentes, incluindo o uso sem moderação de celulares e outros aparelhos eletrônicos.

Além de treinamento periódico para detecção, prevenção e abordagem do problema, os estabelecimentos de ensino devem disponibilizar espaços de escuta e de acolhimento para alunos e funcionários que estejam precisando de ajuda devido ao uso de telas e à nomofobia — nome que se dá ao medo de não ter acesso ao celular.

Após a sanção presidencial, a lei ainda precisará ser regulamentada em, no máximo, 30 dias, segundo o ministro da Educação, Camilo Santana. Ele afirmou, ainda, que o Ministério da Educação (MEC) está construindo guias de orientação para as redes de ensino, com informações sobre a implementação da lei.

“Claro que as redes têm autonomia para construir os mecanismos que vão fazer em cada escola. (...) Estamos fazendo uma ação na escola, mas é importante conscientizar os pais da importância de limitar e controlar o uso desses aparelhos fora da escola. Então, vamos procurar fazer um engajamento com as famílias e educadores, e também com estudantes”, afirmou.

Discussões sobre uso do celular na escola

O Projeto de Lei (PL) nº 4.932/2024 foi aprovado pelo Senado Federal no dia 18 de dezembro de 2024. Diferentes propostas legislativas trataram sobre esse tema ao longo de quase 20 anos. O Diário do Nordeste revelou, em outubro do ano passado, que o Ministério da Educação estava preparando uma medida para proibir o uso não pedagógico de celulares nas escolas.

O senador Alessandro Vieira, relator do projeto, destacou resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) de 2022, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que apontam prejuízos para alunos que utilizam smartphones e outros dispositivos digitais por mais de cinco horas diárias.

“Os efeitos do uso excessivo de celulares e redes sociais por crianças e adolescentes vão além dos resultados acadêmicos, contudo. Questões de saúde mental, ligadas a distúrbios de ansiedade, transtornos alimentares, depressão, entre outros, vêm sendo associadas ao engajamento imoderado desses públicos com os dispositivos digitais e, especialmente, com o uso de redes sociais”, escreveu o senador.

No evento em que a lei foi sancionada, Camilo Santana destacou que a lei protege crianças e adolescentes. Para justificar a importância da norma, Santana apresentou dados sobre acesso à internet e às redes sociais por jovens no Brasil, além de impactos negativos na saúde mental desse público.

“Nós não somos contra acesso a tecnologias, até porque não há mais retorno no mundo de hoje. Mas queremos que essa tecnologia, que essa ferramenta, seja utilizada de forma adequada e principalmente nas faixas (etárias) importantes na vida de crianças e adolescentes”, afirmou.



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